O hino do Fortaleza ganhou um intérprete diferente. Pitoco, uma calopsita macho de oito anos, chama atenção pelo jeito peculiar de demonstrar sua paixão pelo Leão. Com assobios, ele reproduz a melodia do hino do clube e de outras músicas que escuta em casa.
A habilidade surgiu quase por acaso. Marcos Barros, seu dono, começou a colocar músicas do Fortaleza para tocar perto da ave. Com a repetição, Pitoco passou a acompanhar os sons e, pouco a pouco, desenvolveu seu próprio jeito de “cantar” as músicas do Tricolor.
“Coloquei o trecho do Hino do Fortaleza. Ele cantou um trecho, cantou dois, né? Cantou quase todo o hino. Eu esperava que ele cantasse pelo menos um trechinho. Foi impressionante, como eu te falei. Coisa de Deus mesmo. Na perseverança, ele cantou quase todo o Hino do Fortaleza. Depois, coloquei também a ‘Oração da Família’, do Padre Zezinho, e ele reproduziu.” afirma Marcos.
Mas não é preciso nem colocar a música para a cantoria começar. Basta aparecer o cavalinho, símbolo que marcou a identidade do Fortaleza nas passagens pela Série A, que Pitoco já começa a assobiar. A imagem do clube parece funcionar como um estímulo para a ave, que rapidamente solta os primeiros sons do hino.
Segundo o dono, existe ainda uma curiosidade. A cantoria de Pitoco fica ainda mais frequente quando o Fortaleza perde.
“Ele canta muito, principalmente quando o Fortaleza perde. É como se estivesse embalando a equipe, como se estivesse dizendo para o Fortaleza reagir.”
Companheiro em um momento difícil
Por trás da cena curiosa, existe uma relação ainda mais especial. Marcos passa por um tratamento contra o câncer e conta que a presença de Pitoco se tornou importante durante esse período.
A ligação entre os dois ficou ainda mais evidente no dia em que Marcos recebeu o diagnóstico. Ao voltar para casa depois de receber o resultado, percebeu uma mudança no comportamento da ave.
“No dia em que fui receber o resultado de que eu estava com câncer, cheguei em casa do hospital e ele passou dois dias só cantando a ‘Oração da Família’. Ele nunca estava indo para o Fortaleza. Aí eu disse: ‘Meu Deus, será que ele se desaprendeu depois de tanto tempo?’. Mas não. Foi ele perceber a minha tristeza, com o resultado que eu tive, o resultado do câncer.”
Entre assobios, brincadeiras e a rotina dentro de casa, Pitoco ajuda a tornar a vida de Marcos, no bairro Nova Metrópole, em Caucaia, mais leve.
“Ele é muito importante para mim. Nesse tratamento que estou fazendo, ele é uma companhia. Ele canta muito e alegra a gente.”
Calopsitas e a capacidade de imitar sons
Calopsitas conseguem reproduzir sons que escutam com frequência. A anatomia do animal permite a produção e a modulação de diferentes sons, o que contribui para a imitação de músicas, assobios e outros barulhos presentes no ambiente.
No caso de Pitoco, as músicas do Fortaleza passaram a fazer parte da rotina dentro de casa e foram sendo incorporadas ao repertório da ave.
Os machos, como Pitoco, costumam ser mais propensos a desenvolver comportamentos de vocalização e imitação de sons do que as fêmeas. A capacidade, porém, também depende do indivíduo, da convivência e da frequência com que ele é exposto aos sons.