Tite garante que não foi ameaçado de demissão e se esquiva sobre decisão sobre Copa América

O treinador da Seleção Brasileira também admitiu dificuldade para foco no jogo com o Paraguai amanhã pelas eliminatórias devido ao turbilhão de polêmicas

O técnico Tite concedeu entrevista coletiva da tarde desta segunda-feira, na véspera do jogo diante do Paraguai, pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2022. Embora a partida de terça-feira em Assunção (PAR) seja importante para consolidar a Seleção rumo a Copa do Mundo do Catar, as polêmicas em torno da permanência dele no cargo, o afastamento do presidente da CBF, Rogério Caboclo e a participação ou não do jogadores na Copa América no Brasil foram os temas mais perguntados. Tite se esquivou de alguns questionamentos dos jornalistas, mas respondeu.

Indagado, se Caboclo chegou a ameaçá-lo de demissão, ele disse apenas "Não". Sobre o afastamento do presidente da CBF, Tite afirmou que as providências já foram tomadas por quem era responsável por fazê-las.

"Eu compreendo a pergunta. Sabemos a dimensão que tem, a gravidade do caso, temos consciência disso. Agora existe um Comitê de Ética da CBF que toma as devidas providências. Não é da nossa alçada".
Tite
Técnico da Seleção Brasileira de Futebol

Ataques

Nos últimos dias, Tite foi alvo de ataques de aliados e apoiadores do Governo Bolsonaro pedindo sua saída.

O treinador garantiu que não precisa estar alinhado com Governo e sim jogar futebol, e que não se incomodou com pedidos sobre sua saída, preferindo focar no apoio que recebe.

"Técnico de futebol tem que estar alinhado com o futebol. Vou falar sobre o meu juízo e o que a minha escala de valores dizem. Tenho muito respeito ao meu trabalho, à seleção brasileira, a esse momento da Copa do Mundo e de eliminatórias. E a melhor maneira de retribuir o carinho das pessoas que me apoiam e ao respeito do que estão contra, é fazer o meu melhor trabalho possível. É nisso que vou me ater".

E a Copa América?

Por fim, o treinador se esquivou sobre a participação dos jogadores na Copa América, deixando a decisão para após o fim do jogo de terça-feira. O treinador afirmou que não iria cair na pegadinha do repórter ao ser indagado sobre o tema. Ele ainda admitiu que não está fácil focar na partida diante do Paraguai por tantos problemas extracampo enfrentados. 

"Ela (preparação) tem sido bastante difícil, porque o momento social é esse. As pessoas acham que temos que ter opinião para tudo. Nós temos que ter capacidade e lugar de fala sobre o que nos diz respeito. É isso o que fazemos com muito amor e paixão. Nós temos dito que temos uma capacidade e inteligência emocionais muito grandes, para saber filtrar as situações, ter tranquilidade, sensatez, apesar das provocações que fazem. Claro que atrapalha, sim, é desafiador. Vamos precisar disso de novo no jogo contra o Paraguai, essa abstração e foco. Externo isso de forma pública o que falei a eles", finalizou.