Moradores e trabalhadores do entorno do antigo prédio da Caixa Econômica Federal na Avenida Barão de Studart, no bairro Aldeota, relatam ameaças, invasões e insegurança na região.
Após meses de furtos de materiais e atos de depredação, inclusive registrados pelo Diário do Nordeste, uma parte da estrutura metálica do imóvel desocupado desabou na madrugada da sexta-feira (6).
Conforme apuração do Diário do Nordeste, os suspeitos de vandalismo e furto dos materiais têm ameaçado pedestres, utilizam drogas no local e chegaram a invadir um dos prédios residenciais da vizinhança para assaltos.
À reportagem, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) afirmou que investiga as ações criminosas no prédio desativado e, ainda, que reforçou o policiamento no local após o ocorrido da manhã de hoje. Veja posicionamento completo no final do texto.
Ameaças e medo de retaliação
Abordados pela reportagem do Diário do Nordeste, funcionários de prédios vizinhos compartilharam que a insegurança é rotina na região, mas preferiram não se identificar por receio de serem ameaçados.
Uma casa abandonada ao lado do prédio, segundo um deles, é utilizada pelos suspeitos para uso de crack. A situação já foi denunciada, mas teria piorado nos últimos dois meses.
“Já tivemos situações de gritos, pessoas correndo por causa de briga. A gente tem medo de se tornar uma cracolândia, porque o comportamento deles é bem agressivo”, disse um morador ao jornal Bom Dia Ceará.
Outro morador relatou que uma vizinha foi ameaçada com faca por uma mulher que estava no local. “Tivemos situações de eles invadirem o prédio para poder fazer assalto. A gente nunca sabe o que pode acontecer”, acrescentou.
Conforme uma moradora, a polícia já foi acionada “diversas vezes” e é solícita, mas a situação continua após a saída dos agentes do local. “Eles intervêm, mas depois (os suspeitos) se espalham pelo quarteirão e, quando a polícia vai embora, uma hora depois, todo mundo volta”.
“A gente tem medo de retaliação, que eles comecem a ser violentos. A gente se sente inseguro, não consegue mais sair e transitar, não está mais almoçando no restaurante vizinho. A gente não sabe mais a quem recorrer”, desabafou a moradora.
Polícia Civil investiga ações criminosas no prédio
A SSPDS-CE informou à reportagem que a Polícia Civil do Ceará investiga as ações criminosas ocorridas no prédio comercial desativado.
Há mais de uma semana, em 27 de outubro, a Polícia Militar capturou em flagrante dois suspeitos de furto qualificado no imóvel. Os dois homens, de 34 e 47 anos, estavam com um carrinho de supermercado e pedaços de alumínio da estrutura.
Ambos tinham antecedentes criminais e foram autuados por furto qualificado. Conforme a pasta, investigações buscam identificar outros suspeitos e receptadores do material.
Policiamento no entorno foi reforçado
Em relação aos relatos de insegurança e ameaça, a secretaria afirmou que a PM realiza policiamento da região em que está o prédio desativado “por meio do Policiamento Ostensivo Geral (POG), da Força Tática (FT) e do Motopatrulhamento (MP)”.
“Além disso, o bairro conta com o apoio de equipes especializadas, como o Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) e o Comando de Policiamento de Choque (CPChoque)”, segue a pasta.
Após a ocorrência da queda da estrutura, houve reforço do policiamento do local por parte de agentes da Polícia Militar.
Em relação à segurança do imóvel alvo dos furtos e vandalismos, a SSPDS explica que, “por se tratar de uma propriedade privada, a responsabilidade sobre a vigilância permanente do prédio é do proprietário”.