Sangue raro de doador cearense é transportado para atender paciente grave em Minas Gerais

Doador do Ceará foi encontrado após busca no Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR).

Escrito por Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
09 de Outubro de 2026 - 18:10
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Legenda: Transporte da bolsa de sangue integra uma parceria com o Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
Foto: Paulo Cavalcanti/HEMOCE.

Uma bolsa de sangue raro, coletada no Ceará, foi transportada para um paciente em estado grave no município de Juiz de Fora, em Minas Gerais. A bolsa saiu de solo cearense na quinta-feira (8) e chegou nesta sexta-feira (9), após ser levada na cabine de um voo comercial. 

O paciente de Juiz de Fora passou por um transplante renal e estava internado. Durante testes antes da transfusão sanguínea, os médicos identificaram a presença do anticorpo anti-Jsb, considerado extremamente raro. Caso ele recebesse o sangue de um doador comum, o organismo dele identificaria como "estranho". 

Por isso, foi realizada uma busca no Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) para encontrar um sangue compatível. Havia um doador no Ceará, que compareceu ao hemocentro e fez a doação. A coleta e liberação da bolsa de sangue ocorreu no mesmo dia.

Como funciona o transporte de sangue raro?

O transporte é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em parceria do Ministério da Saúde com companhias aéreas. A iniciativa visa reduzir o tempo de transporte das bolsas de sangue raro e agilizar o atendimento para os pacientes. 

As bolsas são acondicionadas em embalagens apropriadas, com controle rigoroso de temperatura. O transporte ocorre de forma gratuita na cabine de uma aeronave comercial. Ele pode ocorrer nos finais de semana e feriados, em qualquer horário do dia, inclusive à noite. 

Além da participação do MS, por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e da Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados, a iniciativa ainda envolve a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas brasileiras.

“O transporte de sangue raro envolve situações clínicas que exigem articulação e colaboração entre diferentes instituições. A inclusão desse serviço na parceria entre o MS, por meio do SNT, a Anac e as companhias aéreas permitirá agilizar o atendimento a pacientes em qualquer estado do país e viabilizar tratamentos que, de outra forma, poderiam não acontecer. Essa iniciativa fortalece a rede de solidariedade que faz do Brasil e do SUS uma referência para o mundo”.
Luciana Maria de Barros Carlos
Coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde

Primeiro caso de transporte em voo comercial

O envio dessa quinta-feira (8) marca o segundo transporte de sangue raro em voo comercial. Anteriormente, conforme o Ministério da Saúde, as bolsas eram transportadas como carga, sujeitas a prazos mais longos e restrições. 

O primeiro caso ocorreu no dia 12 de setembro, quando o MS viabilizou o transporte de uma bolsa de sangue raro de São Paulo para o Piauí. Como no caso do Ceará, o dador foi encontrado após a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR).

O CNSR foi criado em 2013 pelo Ministério da Saúde e reúne 2.032 doadores, tendo contribuído para o atendimento de mais de 300 pacientes.  

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