Uma experiência de acolhimento, bem-estar e conexão com a natureza. Esses são os pilares principais do Projeto Maré de Afeto, idealizado pelo Hospital Municipal Dr. Abelardo Gadelha da Rocha, em Caucaia, tendo como foco proporcionar um momento humanizado para pacientes em internação prolongada.
Nessa sexta-feira (4), o beneficiário foi um idoso de 73 anos, internado na unidade de saúde há cerca de um mês e meio em decorrência de problemas no coração, além de uma doença prostática.
O paciente foi selecionado especialmente pelo seu ofício de vida, já que, durante o acompanhamento hospitalar, foi identificado que ele trabalhou por décadas como pescador.
Com essa informação, a equipe considerou que esse reencontro seria especial, já que o mar esteve diretamente relacionado ao seu trabalho, ao sustento da família e às suas memórias.
Segundo o hospital, o retorno dele à praia foi organizado considerando as condições clínicas e assistenciais necessárias para que a atividade fosse realizada com segurança.
Com apoio do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE) e de uma equipe multidisciplinar composta por oito profissionais, o ex-pescador foi levado até a praia do Cumbuco, um dos principais cartões postais de Caucaia.
Acompanhado também por familiares, o paciente desfrutou por alguns instantes da calmaria do lugar, pisando na areia fofa e sentindo a brisa costeira da região, vivenciando assim um momento humanizado fora do ambiente hospitalar.
Programa de humanização
O diretor-geral do Hospital Municipal Dr. Abelardo Gadelha da Rocha, Rian Teles, explica que o Maré de Afeto faz parte do programa de humanização da unidade, sendo apenas uma das três frentes de trabalho dos profissionais.
Também são realizados o projeto Cuidar em Cena, que promove experiências de lazer e convivência durante a hospitalização, como sessões de cinema, por exemplo; e atividades lúdicas na assistência aos pacientes infantis, com uma ala voltada especialmente para brincadeiras.
Segundo Rian Teles, as iniciativas são parte importante do cuidado terapêutico para com os pacientes, visando tornar o ambiente hospitalar menos hostil.
A ideia é tornar mais amplo esse cuidado, não só com os nossos pacientes, mas com os funcionários. Alguns pacientes não vão mais sair do hospital, são pessoas com comorbidades importantes e que até estão em processo paliativo, de não ter uma cura, mas mantemos o controle, e dentro das medidas adotadas para alcançar esse controle está essa humanização"
Ainda conforme o médico, esta é a segunda vez que um paciente é levado à praia por meio do Maré de Afeto, e a intenção é que a iniciativa seja realizada com mais frequência com pacientes elegíveis, mediante avaliação individual e autorização da equipe de saúde.