Empresário é denunciado por crimes ambientais após construir muro às margens de rio em Eusébio

Segundo o MPCE, obra não possui licença da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará.

Escrito por Bergson Araujo Costa bergson.costa@svm.com.br
03 de Setembro de 2026 - 19:58
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Legenda: Encontro do Rio Coaçu e Rio Cocó.
Foto: Reservasapiranga / Wikipedia.

Um empresário foi denunciado por crimes ambientais no Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza, pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta quinta-feira (3). Segundo a entidade, o homem teria construído o muro em Área de Preservação Permanente (APP) às margens do Rio Coaçu.

A obra da empresa na  APP gerou danos e mudanças no curso do manancial, além de poluição e diminuição do volume de águas, segundo o MPCE.

Na denúncia, o ministério pontuou que o local onde a sede da empresa foi construída tem predisposição a inundações e, após grande volume de chuvas em 2021, as instalações do prédio e a segurança dos trabalhadores foram afetadas. 

“Por esse motivo, o empresário pediu apoio à Prefeitura de Eusébio para romper a estrada do Jaboti para permitir o escoamento das águas”, informou a entidade.

As intervenções foram autorizadas pela Autarquia Municipal de Meio Ambiente (AMMA), desde que respeitassem os recuos das Áreas de Preservação Permanente (APP) e que atendessem à legislação do Código Florestal.

DANOS AMBIENTAIS

De acordo com o MPCE, foi construído um muro de contenção às margens do rio, por meio de terraplanagem sem qualquer licença junto à Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Semace), autorização obtida apenas em momento posterior.

A Promotoria salientou que a obra danificou a vegetação nativa e gerou acúmulo de entulho, lixo e matéria orgânica no fundo do manancial

Outras consequências apontadas na denúncia são:

  • lançamento de esgoto no rio, colocando em risco a saúde da população;
  • perda de biodiversidade;
  • risco de eutrofização da água, isto é, aumento da quantidade de nutrientes que provoca mortandade de espécies e proliferação de algas.

Na denúncia, o MP pede a condenação do empresário por causar danos à unidade de conservação, destruir vegetação de Mata Atlântica e gerar poluição, todos crimes ambientais previstos na Lei 9.605/1998.

O Diário do Nordeste entrou em contato com a Prefeitura de Eusébio e Semace. A matéria será atualizada com a resposta das entidades.

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