Relembre a história do Mercado São Sebastião que aos 125 anos passará por nova reforma

Ponto turístico e gastronômico da cidade, o local teve origem na França e foi “dividido” em três ao longo das décadas

O Mercado São Sebastião, no Centro de Fortaleza, passará nos próximos meses por uma reforma de modernização que é prometida há, pelo menos, sete anos. Um dos principais equipamentos de comércio popular da cidade, ele completou 125 anos em 2022 e passou por uma série de mudanças ao longo da história.

O São Sebastião “original” foi o Mercado de Ferro (ou Mercado da Carne), inaugurado em abril de 1897, no espaço onde hoje é a Praça Waldemar Falcão (em frente ao Museu do Ceará), durante a gestão de Guilherme Rocha. 

A estrutura metálica foi fabricada pela oficina francesa Guillot Pelletier, de Orleans, e transportada a Fortaleza em navios. 

Em 1937, a estrutura começou a ser desmontada após um decreto da gestão do prefeito Raimundo Alencar de Araripe. Em parte, porque o Mercado Central, criado em 1932, vinha recebendo mais destaque no Centro. 

Parte do mercado foi movida para a Aldeota, transformando-se no Mercados dos Pinhões, em 1938. Ele foi restaurado pela Prefeitura 50 anos depois e, em 2006, também foi tombado pelo município. 

A outra parte foi levada para a Praça Paula Pessoa, no bairro Jacarecanga. No fim da década de 1960, a estrutura metálica ficou pequena para atender ao intenso comércio da Praça e o mercado foi novamente desfeito. 

A estrutura foi remontada às margens da BR-116, como Mercado da Aerolândia, em 1968. Em 2008, ele também foi tombado pelo município e, em 2015, teve sua revitalização inaugurada.

Já na antiga Praça, o crescimento desordenado de galpões de alvenaria e barracas nas décadas seguintes, além do farto despejo de lixo nas imediações, exigia uma intervenção. A primeira reforma geral foi feita em 1982, cerca de 17 anos após a instalação dos pavilhões.

Em novembro de 1984, um incêndio de grandes proporções chegou a destruir completamente 48 boxes, devido a instalações elétricas irregulares. Uma reforma emergencial foi promovida pela Prefeitura no ano seguinte.

O projeto do Novo São Sebastião, inaugurado em dezembro de 1997, na gestão do prefeito Juraci Magalhães, foi idealizado pelo arquiteto cearense Fausto Nilo, com três pavilhões, praça de alimentação e amplo estacionamento.

Desde então, em 25 anos, o prédio recebeu apenas reparos pontuais. Quando a Prefeitura retomou a gestão do equipamento, em 2015 (antes, estava nas mãos de um sindicato), havia previsão de uma nova reforma. Porém, ela será efetuada agora, sete anos após a promessa.

Para Jonas Balbino, comerciante do local há 20 anos e tesoureiro da Associação dos Permissionários do Mercado São Sebastião, a novidade foi recebida com “louvor e emoção”.

“Estamos vivendo uma crise no comércio bastante relevante, mas em meio tudo isso receber uma notícia boa dessas é muito gratificante para todos os permissionários”, afirma. Segundo ele, o local se mantém relevante pelo público cativo que ganhou ao longo dos anos.

400
boxes de frutas, verduras, carnes, peixes, frutos do mar, plantas, vestuários e utilidades se distribuem em três blocos do Mercado, atualmente.

Em 2019, o local virou tema do livro “A Distância entre Nós Dois – História do Mercado de Ferro de Fortaleza”.

Novidades na reforma

Na última sexta-feira (24), a Prefeitura de Fortaleza deu a ordem de serviço para o início de uma nova requalificação do espaço. A execução prevê:

  • manutenção do sistema de proteção contra incêndios
  • reforma da cobertura metálica e esquadrias (janelas, portas, venezianas)
  • nova pintura do bloco C
  • pavimentação e sinalização do estacionamento da unidade
  • reforma e manutenção das rampas dos passeios externos

A reforma custará cerca de R$ 1 milhão e deve ser concluída no prazo de seis meses. A gestão do Mercado informou que as obras serão pontuais e não devem afetar o funcionamento das atividades.