No Ceará, 84,9% das crianças e adolescentes de 10 a 13 anos usam internet. Isso corresponde a cerca de 435 mil pessoas dessa faixa etária no Estado, conforme o módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, divulgado nesta quinta-feira (2).
Entre as crianças e adolescentes cearenses, o uso da internet teve um aumento contínuo de 2016 a 2024 — indo de 316 mil usuários no começo da série histórica até o maior número registrado, em 2024, de 463 mil.
No entanto, em 2025 a pesquisa mostra pela primeira vez uma queda no número de usuários de internet que tem de 10 a 13 anos no Estado. A diminuição foi de 6%.
O estudo, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), investiga os hábitos de uso da internet na população brasileira maior de 10 anos, incluindo frequência, finalidade e equipamentos utilizados.
Ter um celular para uso pessoal também é uma realidade de 48,9% das crianças e adolescentes dessa faixa etária no Ceará. A PNAD de 2025 mostra que esse número corresponde a 250 mil pessoas.
Apesar do número de pessoas de 10 a 13 anos com celular ter aumentado 34% desde 2016, a quantidade também diminuiu nos últimos anos. Em 2024, eram 271 mil crianças e adolescentes cearenses com um celular próprio. A queda foi de 7,7% quando comparado ao número registrado em 2025.
Preocupação com a privacidade cresce entre crianças e adolescentes
A PNAD analisa ainda os motivos indicados pela população para não usar internet ou não ter celular. Dados nacionais mostram que a preocupação com a privacidade ou segurança é a motivação para não acessar a internet que mais cresce entre crianças e adolescentes de 10 a 13 anos.
Em 2022, esse motivo foi indicado por 15,6% desse grupo. Já em 2025, são 30,3% que indicam essa razão para não usar. Conforme o relatório da pesquisa, isso pode refletir um receio por parte dos pais ou responsáveis.
A motivação também influencia não possuir um celular para 32% dessa faixa etária, enquanto para a população geral essa preocupação com segurança ou privacidade corresponde a 11,8% daqueles que não tem um smartphone.
Qual a idade certa para dar um smartphone à criança?
De acordo com o Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais do Brasil, a recomendação científica atual é que a posse de um celular próprio, tipo smartphone, não deve ocorrer antes dos 12 anos de idade. Quanto mais tarde ocorrer, melhor.
O documento, no entanto, reconhece que a escolha depende do contexto, da dinâmica de cada família e da maturidade de cada criança ou adolescente em relação a regras de uso, segurança e privacidade. O guia sugere perguntas para serem discutidas em família sobre o momento adequado para posse de um celular, como a finalidade do uso, o motivo e necessidade de ter um smartphone, além de noções básicas de segurança, riscos e oportunidades no ambiente digital.
Uma pesquisa feita pelo site Mobile Time e a empresa de pesquisas Opinion Box mostrou que a idade média para ganhar um celular no Brasil é de 10 anos e três meses. Foram entrevistados 2.005 pais de crianças e adolescentes brasileiros na edição de 2025.
Ao mesmo tempo, a pesquisa de 2025 também mostrou uma queda na proporção de crianças com smartphone próprio. “Essa tendência pode ser reflexo da intensificação do debate sobre os malefícios causados pelo acesso prematuro a celulares e redes sociais, e também à proibição do uso dos aparelhos nas escolas, por determinação de lei federal”, diz o estudo.
Desenvolvimento cerebral e o uso de celular por crianças
A recomendação de retardar a posse de um celular próprio tem a ver, conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com o desenvolvimento cerebral e mental no início da puberdade, entre os 10 e os 12 anos.
Esse período é marcado por um descompasso entre o sistema límbico, que é estimulado por emoções, e o tempo de maturação do córtex pré-frontal, parte do cérebro responsável pelo controle de impulsos, julgamento, resolução de problemas, atenção, inibição e tomada de decisões.
Com isso, os comportamentos típicos dos adolescentes ocorrem. No entanto, em ambientes virtuais, a curiosidade e a impulsividade podem gerar riscos e comportamentos disfuncionais.
Por isso, a SBP recomenda que crianças de 6 a 10 anos tenham o tempo de tela limitado ao máximo de 1 a 2 horas por dia, sempre com supervisão. Adolescentes entre 11 e 18 anos devem ter tempo de telas e videogames de 2 a 3 horas ao dia, sem permissão para “virar a noite” jogando. Os especialistas alertam para o aumento dos riscos à saúde e problemas comporamentais com o uso de mais de 4 a 5 horas diárias.