A análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que o Brasil deve passar por pelo menos seis ondas de calor nos próximos quatro meses.
De acordo com informações do portal g1, o 'Super El Niño', previsto para atingir o pico entre o final deste ano e o começo de 2027, deve aumentar ainda mais as temperaturas em todas as regiões do País ao mesmo tempo.
A expectativa é de que os episódios de alto calor sejam maiores do que no último El Niño. Mabel Calim Costa, pesquisadora responsável pela análise e doutora em ciências do Sistema Terrestre, afirma que as ondas de calor podem ser ainda mais frequentes com a intensificação do fenômeno.
"Essa é uma média, mas vimos no último El Niño o País viver nove ondas de calor, com dias extremamente quentes. Com a temperatura dos oceanos subindo, pode ser que o cenário seja ainda mais intenso, e isso traz consequências ao País", observa.
O que são as ondas de calor?
Os especialistas do Cemaden consideram como onda de calor quando as altas temperaturas, mínimas e máximas, são registradas por pelo menos três dias seguidos.
As ondas de calor estão mais frequentes e mais extensas, e a expectativa, segundo os dados do Cemaden, é de que não haverá lugar no Brasil para onde fugir do calor.
As altas temperaturas, até as décadas de 1980 e 1990, eram mais raras e concentradas em regiões como o Nordeste, cuja maior parte do território é semiárida.
Especialmente a partir de 2010, no entanto, as ondas de calor passaram a ficar mais frequentes e cobrir uma área maior do Brasil, atingindo todo o País em vez de regiões concentradas.
"Percebemos que a onda de calor passa a afetar todo o território. Isso é uma questão, porque estamos falando de calor adicional em áreas já quentes e em áreas que não têm resiliência para enfrentar temperaturas tão altas", expõe Costa.
"As mudanças climáticas estão avançando e o mundo está mais quente. Isso se reflete na intensidade das ondas e podemos ver um cenário ainda mais forte este ano", completa a especialista.
O período entre os anos de 2023 e 2024 foi o mais quente já registrado na história da humanidade. No Brasil, as nove ondas de calor foram registradas entre agosto e dezembro, mais do que o dobro da média histórica, de quatro episódios.