A cearense Amanda Maria Souza de Oliveira, mulher de 38 anos que fingia ser adolescente, foi indiciada pela Polícia Civil do Paraná por suspeita de estelionato.
Ela já responde pelo mesmo crime no estado de Santa Catarina, onde está presa desde junho.
A detida se apresentava como Gabriele e é natural do Ceará, conforme a polícia.
A repercussão do caso de Amanda levou a um novo pedido de laudo psiquiátrico para avaliar a sanidade mental da investigada.
Conforme informações da Folha de S. Paulo, esse novo teste será realizado pela equipe do psiquiatra forense Hewdy Lobo, responsável por laudos de casos de grande impacto no Brasil, como o de Suzane von Richthofen, da ex-deputada federal Flordelis e de Adélio Bispo, acusado de ter dado uma facada em Jair Bolsonaro.
"Pedimos um novo laudo, por psiquiatra forense particular, para saber se ela tinha consciência do que estava fazendo ou se tem alguma doença mental que possa mudar o rumo do processo", teria informado Sarita Paiva, advogada de defesa da mulher.
Um primeiro documento teria apontado problemas de saúde psíquica, mas que não impedem Amanda de entender seus atos.
'Mesmo modus operandi'
Segundo as investigações da Polícia Civil do Paraná, Amanda teria feito pelo menos 12 vítimas na cidade de Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Elas pertenciam a um grupo de oração online.
Testemunhas relataram que a mulher se infiltrou nas reuniões católicas, fingindo ser uma adolescente de 13 anos em estágio terminal de leucemia. Ela negou todas as acusações.
"Atuava em idêntico modus operandi", informou a polícia sobre o tipo de abordagem da investigada.
Nesta terça-feira (21), o Diário do Nordeste solicitou atualizações sobre a investigação do caso à PCPR e aguarda retorno. A matéria será atualizada quando houver resposta.
Relembre o caso
As vítimas teriam reconhecido Amanda após a repercussão do caso em Joinville (SC), em que ela foi adotada por uma família durante um ano, dizendo ser uma criança abandonada.
Nas redes sociais, circularam fotos da acusada usando uma mamadeira e ganhando até festa de aniversário infantil.
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pela investigação, Amanda fingiu ser uma adolescente de 12 anos.
Ela teria conhecido a família adotiva ao procurar uma igreja relatando ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos.
Em junho, a mulher de 38 anos foi presa em flagrante, após confessar o crime à Polícia.
Ela admitiu ter aplicado o mesmo golpe nas cidades de Curitiba (PR) e Nova Iguaçu (RJ), além dos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará.
"Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então, ela levava uma vida muito boa", disse o delegado ao g1.
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, para sustentar o disfarce, Amanda dizia ter sido diagnosticada com autismo e outras condições clínicas.
Além disso, ela alegava que os traços adultos eram consequência do uso forçado de hormônios na infância, quando teria sido abusada.
A suspeita também adotava comportamentos infantilizados, como uso de mamadeiras, chupetas e um "cheirinho" para dormir. A família ainda relatou que ela acordava constantemente, à noite, com crises forçadas de pânico para conseguir atenção.
"O pai e a mãe adotivos ficavam com ela e a tratavam como criança porque ela se fazia passar como criança. Tentaram matricular ela numa escola, só que ela não aceitava, dizia que tinha medo, inventava uma história de que o pai biológico iria descobrir e retirar ela da família adotiva", explicou o delegado.
A família só procurou a Polícia após uma parente suspeitar da mulher, fazer pesquisas na internet e descobrir que ela já havia cometido golpes semelhantes em outros estados do País.
Foi assim, inclusive, que as autoridades de segurança descobriram que ela era reincidente nessa modalidade de crime.
"Nos outros estados, ela sempre se passava por adolescente, inventava outros nomes", detalhou o delegado Gusso.