O governo da Venezuela acusou, neste sábado (13), os Estados Unidos de interceptar um barco de pesca venezuelano por cerca de oito horas, em uma ação que elevou ainda mais a tensão entre os dois países. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a embarcação era “inofensiva”.
De acordo com as autoridades venezuelanas, o barco “Carmen Rosa”, tripulado por nove pescadores, foi abordado de forma ilegal e hostil pelo destróier norte-americano USS Jason Dunham, na sexta-feira (12), enquanto navegava na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Venezuela para a pesca de atum.
Em comunicado oficial, o chanceler Yvan Gil afirmou que 18 oficiais norte-americanos ocuparam o barco de maneira arbitrária e que os pescadores eram “humildes trabalhadores”.
Veja o comunicado
“O navio venezuelano ‘Carmen Rosa’, tripulado por nove humildes pescadores de atum (…) foi atacado de maneira ilegal e hostil por um destróier da Marinha dos Estados Unidos”, declarou o ministério. Os EUA ainda não se pronunciaram sobre o episódio.
Na mesma nota, o governo de Nicolás Maduro exigiu que Washington cesse imediatamente esse tipo de ação: “Aqueles que dão a ordem para essas provocações estão em busca de um incidente que justifique uma escalada bélica no Caribe, com o objetivo de insistir em sua política, fracassada e rejeitada pelo próprio povo dos EUA, de mudança de regime.”
A chancelaria afirmou ainda que as Forças Armadas venezuelanas monitoraram a abordagem “minuto a minuto”, com recursos aéreos, navais e de vigilância, até que os pescadores fossem liberados.
Aumento das tensões
As trocas de acusações entre Caracas e Washington se intensificaram nas últimas semanas com a ampliação da presença militar americana no sul do Caribe.
O governo dos Estados Unidos justifica a operação como parte de uma ação coordenada de combate ao tráfico de drogas, tendo enviado, pela primeira vez, 10 caças F-35 para um aeródromo em Porto Rico, território norte-americano.
Em resposta, Nicolás Maduro pediu nesta semana que os cidadãos venezuelanos se preparem para um possível chamado à “luta armada em defesa da soberania e da paz”, caso haja intervenção militar ordenada por Washington.
“O partido do governo popular e unificador das forças políticas e sociais tem a obrigação de se preparar estruturalmente para partir para a luta armada com a nação venezuelana, se for necessário para defender esta terra, defender nosso povo e afirmar nossa história de dignidade. Nunca acreditei que pudesse pronunciar estas palavras, mas as circunstâncias históricas nos obrigam”, disse Maduro na última quarta-feira (10).