O ex-ditador deposto Bashar al-Assad foi condenado à morte por um tribunal sírio, nesta terça-feira (11), após ter sido declarado culpado por atrocidades cometidas durante os quase 14 anos de guerra civil no país.
Esta é a primeira sentença do tipo anunciada durante o governo dos líderes transitórios da Síria, que derrubaram Assad em dezembro de 2024 com a promessa de fazer justiça e exigir a prestação de contas pelos crimes cometidos durante seu governo.
Assad fugiu para Moscou, na Rússia, quando as forças lideradas por islamistas se aproximavam da capital síria.
Em um tribunal em Damasco, o juiz Fakhr al Din al Aryan declarou Assad culpado de "assassinato premeditado, homicídio doloso de mais de uma pessoa, homicídio doloso de menores de 15 anos (...) tortura, tortura com resultado de morte e privação de liberdade em múltiplas ocasiões", considerados crimes contra a humanidade e de guerra.
"Portanto, ele é condenado à morte", acrescentou.
Quem é Bashar al-Assad?
Autocrata frio, o ex-presidente sírio Bashar al-Assad foi endurecido por um conflito que dilacerou seu país por mais de 10 anos, se tornando o mais mortal neste início do século.
Mesmo no auge da guerra civil, ele permaneceu inabalável, convencido de sua capacidade de reprimir uma rebelião que denunciou como "terrorista" e o resultado de "um complô" para derrubá-lo por países inimigos.
Oftalmologista formado no Reino Unido, Bashar al-Assad viu seu destino mudar com a morte do "herdeiro político" Basel, seu irmão mais velho, em um acidente de carro em 1994. Forçado a deixar Londres, onde conheceu sua esposa Asma, ele fez um curso militar antes de se iniciar nos assuntos políticos com seu pai.
Após a morte de Hafez al-Assad em 2000, ele o sucedeu após um referendo e foi reeleito em 2007. Então, com apenas 34 anos, representou uma figura reformista, ágil para iniciar a liberalização econômica e uma relativa abertura política do país.
Começou injetando uma tímida dose de liberdade, mas a "Primavera de Damasco" teve vida curta. Os opositores seriam rapidamente silenciados e presos.
Quanto à abertura econômica, viu-se o surgimento de um monopólio da riqueza e, portanto, as desigualdades sociais se aprofundaram.
Após a revolta na Síria estourar em março de 2011, ele a reprimiu implacavelmente, causando uma militarização do levante que se transformou em conflito armado. Em mais de dez anos de guerra, ele não faz concessões para dividir o poder.
Mais de 500 mil pessoas morreram e milhões foram deslocadas, enquanto dezenas de milhares desapareceram, muitas delas no brutal sistema penitenciário do país.
Demais condenados
Os julgamentos contra Assad e outros funcionários do governo foram iniciados em abril. Eles foram julgados presencialmente e à revelia, acusados de atrocidades cometidas durante a guerra civil, que começou após a brutal repressão por parte das antigas autoridades aos protestos pró-democracia.
O tribunal também condenou à morte, à revelia, seis ex-comandantes militares e das forças de segurança, entre eles Maher, irmão de Assad, que também fugiu do país.
Entre os condenados estão o ex-ministro da Defesa Fahd al-Freij e Louay al-Ali, que comandava a inteligência militar na província de Daraa em 2011.
O tribunal declarou os funcionários culpados de crimes que incluem assassinato, incitação ao assassinato, tortura com resultado de morte e privação reiterada de liberdade.
O ex-funcionário das forças de segurança Atif Najib - único acusado presente no banco dos réus - também foi condenado à morte por "crimes contra a humanidade" cometidos quando era chefe da segurança política na província de Daraa, epicentro da revolta de 2011 no país.
Najib, primo de Assad e detido em janeiro do ano passado, foi declarado culpado de crimes que incluem assassinato, "homicídio doloso de menores de 15 anos" e "tortura com resultado de morte".