Presidente interina da Venezuela confirma acordo petrolífero com os EUA, mas alega 'soberania'

Segundo Delcy Rodríguez, os recursos continuarão sob administração venezuelana.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
30 de Agosto de 2026 - 09:18 (Atualizado às 09:19)
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Legenda: Delcy Rodríguez fez pronunciamento ao povo venezuelano por meio da tv estatal.
Foto: LUCAS AGUAYO / AFP.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou, em declaração no sábado (29), que o país manterá a soberania sobre as próprias reservas de petróleo mesmo após o acordo firmado com os Estados Unidos. O pacto prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos com potencial comprovado de 65 bilhões de barris, segundo a líder venezuelana. 

Rodríguez classificou o entendimento como histórico e disse que ele será responsável por impulsionar a recuperação da indústria petrolífera venezuelana. O acordo terá duração de 25 anos e estabelece como meta elevar a produção do país para 1,5 milhão de barris de petróleo por dia. 

"Uma coisa deve ficar absolutamente clara: a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos", disse Rodríguez em um discurso transmitido pela televisão estatal do país.

O anúncio ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgar na sexta-feira (28) que o governo americano terá controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas da Venezuela.

Segundo Trump, a negociação foi conduzida pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, em parceria com Rodríguez.

A proposta prevê a participação de empresas privadas na exploração dos campos venezuelanos e investimentos que podem chegar a US$ 100 bilhões. O governo de Caracas estima ainda que o acordo possa gerar mais de US$ 200 bilhões em receitas tributárias para o país ao longo do projeto. 

Apesar da participação americana, Rodríguez afirmou que os recursos naturais continuarão pertencendo à Venezuela. Segundo ela, cerca de US$ 19 de cada barril vendido aos Estados Unidos serão destinados diretamente ao governo venezuelano. 

A iniciativa representa uma mudança significativa na relação entre Caracas e Washington, especialmente após anos de tensão política e sanções americanas contra o governo venezuelano. Ela também ocorre em um momento de tentativa de recuperação da indústria de petróleo da Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas do mundo. 

Dúvidas sobre o acordo com os EUA

Apesar de Estados Unidos e Venezuela apresentarem o pacto como uma oportunidade de recuperação econômica e aumento da produção, ainda existem dúvidas sobre como o acordo será colocado em prática.

Especialistas apontam questões jurídicas, financeiras e operacionais, além dos desafios para recuperar uma estrutura petrolífera que passou por anos de deterioração. 

Todos os detalhes sobre o financiamento, inclusive, ainda não estão esclarecidos. A divisão do controle das operações e a participação das empresas americanas, por exemplo, não foram definidas.

A dimensão do negócio e os efeitos sobre a produção e os preços do petróleo ainda dependerão da execução dos investimentos e da recuperação dos campos. 

O acordo também provocou críticas dentro da própria Venezuela. Manifestantes e opositores questionam a crescente influência dos Estados Unidos sobre o setor petrolífero, enquanto analistas levantam dúvidas sobre a segurança jurídica do pacto e sua continuidade diante de futuras mudanças políticas no país.

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