Primeiro jato de corredor duplo do mundo, o Jumbo 747 vai se aposentar. Famoso pela silhueta "corcunda", último jumbo Boeing comercial na versão cargueiro será entregue à Atlas Air na próxima terça-feira (31). As informações são do g1.
Projetado no final da década de 1960 para atender à demanda por viagens em massa, o modelo foi considerado um "luxo" nas nuvens. Mas foi entre a classe média que a então novidade transformou as viagens.
Conforme o CEO da Air France-KLM, foi o avião que introduziu o voo para a classe média nos Estados Unidos. Antes dele, famílias mais humildes não podiam voar do país para a Europa de forma acessível.
O jumbo também fez História nos assuntos globais, simbolizando a guerra e a paz. Ele esteve presente em momentos que vão desde o posto de comando nuclear do "Avião do Juízo Final" americano até visitas papais, em fretados apelidados de Shepherd One.
O primeiro 747 decolou de Nova York em 22 de janeiro de 1970, após um atraso devido a uma falha no motor. Com ele, mais do que dobrou a capacidade do avião, que passou para 350-400 assentos.
Agora, dois 747 entregues anteriormente estão sendo adaptados para substituir os jatos presidenciais dos Estados Unidos, conhecidos globalmente como Força Aérea Um.
Nascido de um desafio
A origem da aeronave guarda uma inusitada curiosidade. O fundador da Pan Am, Juan Trippe, queria cortar custos - e, para isso, aumentar o número de assentos das aeronaves. Em uma viagem de pesca, ele desafiou o presidente da Boeing, William Allen, a fazer algo que superasse o 707.
Allen colocou o lendário engenheiro Joe Sutter no comando. Levou apenas 28 meses para a equipe de Sutter, conhecida como "os Incríveis", desenvolver o 747 antes do primeiro voo, em 9 de fevereiro de 1969.
O início, no entanto, não teve nada de glamour. Os primeiros anos do 747 foram repletos de problemas, e os custos de desenvolvimento de US$1 bilhão quase levaram a Boeing à falência. Na época, acreditava-se que o futuro das viagens aéreas estava nos jatos supersônicos.
Depois de uma queda durante a crise do petróleo da década de 1970, o auge do avião chegou em 1989, quando a Boeing lançou o 747-400 com novos motores e materiais mais leves, tornando-o perfeito para atender à crescente demanda por voos mais longos.
A mesma onda de inovação que fez o 747 decolar significou o seu fim. Os avanços permitiram que os jatos bimotores replicassem o alcance e a capacidade, com um custo menor. No entanto, o 777X, definido para ocupar o lugar do 747 no topo do mercado de jatos, não estará pronto até pelo menos 2025, após atrasos.
A entrega final do 747 desta semana deixa dúvidas sobre o futuro da Boeing, que lida com os efeitos da pandemia de Covid-19 e com uma crise de segurança do 737 Max. A Boeing pode não projetar um novo avião por pelo menos uma década.