Dois novos casos de cura do HIV são registrados, diz Sociedade Internacional de Aids

Com isso, subiu de 11 para 13 o número de pessoas curadas ou que apresentaram remissão do vírus.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
27 de Julho de 2026 - 17:30 (Atualizado às 17:30)
capa da noticia
Legenda: Pacientes interromperam o uso de antirretrovirais e, desde então, não foram mais detectados com o vírus.
Foto: Shutterstock.

Dois novos casos de possível cura do HIV foram anunciados nesta segunda-feira (27) pela Sociedade Internacional de Aids (IAS). Com isso, subiu de 11 para 13 o número de pessoas curadas ou que apresentaram remissão do vírus, conforme levantamento da instituição.

Segundo os dados apresentados pela IAS, esses pacientes interromperam o uso de antirretrovirais e, desde então, não foram mais detectados com o vírus

Um deles está há 14 meses sem os medicamentos e o outro completou 12 meses sem tratamento contra o HIV e sem carga viral detectável, ou seja, quando o vírus está em um nível tão baixo que o teste não consegue medi-lo. Quando chega a esse estágio, não há transmissão por relações sexuais.

Entenda os casos de cura do HIV

O primeiro paciente é um homem de 21 anos. Em 2018, ele foi diagnosticado com HIV e uma forma agressiva de leucemia. Antes do medicamento, ele tinha mais de 2 milhões de cópias do vírus por mililitro de sangue e uma quantidade muito baixa de células de defesa.

Cerca de dois anos depois, ele passou por um transplante de medula óssea. A doadora tinha mutação rara chamada CCR5-delta32, que impede que as formas mais comuns do HIV usem uma das principais portas de entrada das células.

O paciente passou por complicações devido ao transplante e recebeu um reforço de células-tronco. Os antirretrovirais foram suspensos em fevereiro de 2025 e, 14 meses depois, os exames continuavam sem encontrar o vírus no sangue nem células com HIV capazes de reiniciar a infecção.

Já o segundo paciente foi submetido a um transplante de medula por um doador que também tinha duas cópias da mutação CCR5-delta32. O caso era considerado mais complexo porque o homem tinha diferentes formas do HIV.

Um ano após a suspensão dos medicamentos, o vírus continuava indetectável. No entanto, com a interrupção dos remédios, a hepatite B voltou a se multiplicar em cerca de um mês.

Como o HIV é transmitido

O HIV é transmitido principalmente por fluidos corporais específicos. É possível “pegar” o vírus com:

  • Sexo vaginal, anal ou oral sem camisinha;
  • Uso de seringa por mais de uma pessoa;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Da mãe infectada para o filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
  • Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

O HIV não é transmitido pelas seguintes formas:

  • Sexo desde que se use corretamente a camisinha;
  • Masturbação a dois;
  • Beijo no rosto ou na boca;
  • Suor e lágrima;
  • Picada de inseto;
  • Aperto de mão ou abraço;
  • Sabonete/toalha/lençóis;
  • Talheres/copos;
  • Assento de ônibus;
  • Piscina;
  • Banheiro;
  • Doação de sangue;
  • Pelo ar.

O Ministério da Saúde adverte que “conhecer o quanto antes a sorologia positiva para o HIV aumenta muito a expectativa de vida de uma pessoa que vive com o vírus”. É recomendado fazer o teste sempre que:

  • Tiver uma relação sexual sem preservativo (respeitar a janela imunológica de 30 dias);
  • Compartilhar seringas ou agulhas;
  • Passar por situações de risco, como acidentes com materiais contaminados;
  • Apresentar sintomas de infecção aguda (febre, mal-estar, dor no corpo) após exposição de risco.

As principais formas de prevenção são o uso de camisinha, a PEP (medicamento usado até 72 horas após uma situação de risco) e a PrEP (medicamento tomado por pessoas com maior risco de exposição para prevenir a infecção antes de ocorrer).

O tratamento é feito por meio dos medicamentos antirretrovirais (ARV), distribuídos gratuitamente pelo SUS a todas as pessoas vivendo com HIV que necessitam de tratamento.

Assuntos Relacionados

Edição do Dia