Dois novos casos de possível cura do HIV foram anunciados nesta segunda-feira (27) pela Sociedade Internacional de Aids (IAS). Com isso, subiu de 11 para 13 o número de pessoas curadas ou que apresentaram remissão do vírus, conforme levantamento da instituição.
Segundo os dados apresentados pela IAS, esses pacientes interromperam o uso de antirretrovirais e, desde então, não foram mais detectados com o vírus.
Um deles está há 14 meses sem os medicamentos e o outro completou 12 meses sem tratamento contra o HIV e sem carga viral detectável, ou seja, quando o vírus está em um nível tão baixo que o teste não consegue medi-lo. Quando chega a esse estágio, não há transmissão por relações sexuais.
Entenda os casos de cura do HIV
O primeiro paciente é um homem de 21 anos. Em 2018, ele foi diagnosticado com HIV e uma forma agressiva de leucemia. Antes do medicamento, ele tinha mais de 2 milhões de cópias do vírus por mililitro de sangue e uma quantidade muito baixa de células de defesa.
Cerca de dois anos depois, ele passou por um transplante de medula óssea. A doadora tinha mutação rara chamada CCR5-delta32, que impede que as formas mais comuns do HIV usem uma das principais portas de entrada das células.
O paciente passou por complicações devido ao transplante e recebeu um reforço de células-tronco. Os antirretrovirais foram suspensos em fevereiro de 2025 e, 14 meses depois, os exames continuavam sem encontrar o vírus no sangue nem células com HIV capazes de reiniciar a infecção.
Já o segundo paciente foi submetido a um transplante de medula por um doador que também tinha duas cópias da mutação CCR5-delta32. O caso era considerado mais complexo porque o homem tinha diferentes formas do HIV.
Um ano após a suspensão dos medicamentos, o vírus continuava indetectável. No entanto, com a interrupção dos remédios, a hepatite B voltou a se multiplicar em cerca de um mês.
Como o HIV é transmitido
O HIV é transmitido principalmente por fluidos corporais específicos. É possível “pegar” o vírus com:
- Sexo vaginal, anal ou oral sem camisinha;
- Uso de seringa por mais de uma pessoa;
- Transfusão de sangue contaminado;
- Da mãe infectada para o filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
- Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.
O HIV não é transmitido pelas seguintes formas:
- Sexo desde que se use corretamente a camisinha;
- Masturbação a dois;
- Beijo no rosto ou na boca;
- Suor e lágrima;
- Picada de inseto;
- Aperto de mão ou abraço;
- Sabonete/toalha/lençóis;
- Talheres/copos;
- Assento de ônibus;
- Piscina;
- Banheiro;
- Doação de sangue;
- Pelo ar.
O Ministério da Saúde adverte que “conhecer o quanto antes a sorologia positiva para o HIV aumenta muito a expectativa de vida de uma pessoa que vive com o vírus”. É recomendado fazer o teste sempre que:
- Tiver uma relação sexual sem preservativo (respeitar a janela imunológica de 30 dias);
- Compartilhar seringas ou agulhas;
- Passar por situações de risco, como acidentes com materiais contaminados;
- Apresentar sintomas de infecção aguda (febre, mal-estar, dor no corpo) após exposição de risco.
As principais formas de prevenção são o uso de camisinha, a PEP (medicamento usado até 72 horas após uma situação de risco) e a PrEP (medicamento tomado por pessoas com maior risco de exposição para prevenir a infecção antes de ocorrer).
O tratamento é feito por meio dos medicamentos antirretrovirais (ARV), distribuídos gratuitamente pelo SUS a todas as pessoas vivendo com HIV que necessitam de tratamento.