A jogadora de futebol Luana Bertolucci, de 30 anos, anunciou, nessa segunda-feira (29), que foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin — tipo de câncer que se origina no sistema linfático. A atleta, que atua pelo time norte-americano Orlando Pride, havia sido convocada para integrar a seleção brasileira na She Believes Cup e era uma promessa para disputar as Olimpíadas de Paris — 2024, mas teve que se afastar.
No comunicado, a atleta disse que será submetida a sessões de quimioterapia para tratar a doença. "Como atleta profissional já passei por muitos desafios dentro e fora de campo. Sempre enfrentei tudo com coragem e determinação, e dessa vez não será diferente", declarou.
Semelhante ao sistema circulatório, o sistema linfático, onde de se origina a doença, é um conjunto de veias — formado por vasos linfáticos, linfonodos e dutos coletores —, que se espalham por todo o corpo, capturando e transportando o excesso de líquido ao redor das células — conhecido como linfa — de volta para o sangue. Ele é uma parte vital do sistema imunológico, segundo dados do MSD Manual.
Sintomas do linfoma de Hodgkin
Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o linfoma de Hodgkin pode surgir em qualquer parte do corpo. Os sintomas desse tipo de câncer variam conforme a localização dele.
- Caso se desenvolva em linfonodos superficiais do pescoço, das axilas e de virilha, formam-se ínguas indolores — linfonodos inchados — nesses locais;
- Se ocorrer na região do tórax podem surgir sinais como tosse, falta de ar e dor torácica.
- Quando acomete a região da pelve ou do abdômen, os sintomas são desconforto e distensão abdominal.
Febre, cansaço, suor noturno, perda de peso sem motivo aparente e coceira no corpo também são sinais de alerta.
A doença tem como característica se espalhar ordenadamente, de um grupo de linfonodos para outro grupo, por meio dos vasos linfáticos. Conforme o Inca, esse tipo de câncer se origina com maior frequência na região do pescoço e na região do tórax, denominada mediastino.
Pessoas em todas as faixas etárias podem ser acometidas pela condição, que é mais propensa a se desenvolver em homens do em mulheres.
O diagnóstico é obtido via um exame de biópsia — coleta do fragmento de um tecido suspeito — da região afetada, geralmente um linfonodo.
Como é o tratamento
Conforme o Inca, a maioria dos pacientes com linfoma de Hodgkin pode ser curada com o tratamento disponível atualmente. O diagnóstico precoce possibilita melhores resultados no tratamento e deve ser buscado com a investigação de sintomas como:
- Aparecimento de um ou mais caroços (ínguas) sob a pele, geralmente indolor, principalmente no pescoço, virilha ou axilas;
- Febre e suores noturnos;
- Cansaço e perda de peso sem motivo aparente;
- Coceira na pele.
O tratamento clássico, segundo a instituição, é a poliquimioterapia — quimioterapia com múltiplas drogas, com ou sem radioterapia associada. A quantidade de ciclos de quimioterapia dependerá da avaliação do estádio inicial do tumor. Em alguns casos, também pode ser indicado o transplante de medula óssea. Os pacientes podem ser classificados como portadores de doença localizada ou doença avançada.
Após a remissão do tumor — redução ou desaparecimento dos sinais do câncer —, o acompanhamento da doença continua, para investigar a possibilidade de retorno.
Com o fim do tratamento, os paciente seguem sendo assistidos, com consultas periódicas, cujos intervalos podem ir aumentando progressivamente.