Tecnologia de georradar identificou túnel escavado há 10 anos em presídio do Ceará

O Estado recebeu novos equipamentos para reforçar a inteligência do sistema penal.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
14 de Outubro de 2026 - 16:05
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Legenda: O túnel foi descoberto nas dependências de Unidade Prisional em Itaitinga.
Foto: TJCE/Arquivo de Imagens.

O georradar entregue pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) à Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP-CE) localizou um túnel que havia sido escavado por detentos há dez anos, dentro do território da Unidade Prisional Agente Penitenciário Luciano Andrade Lima (UP Itaitinga 1).

"Testando [o novo equipamento], a gente descobriu um túnel 'abandonado' na UP 1 dez anos atrás. É muito importante mapear. É muito importante ter essa tecnologia", disse o titular da SAP, Mauro Albuquerque, nesta quarta-feira (14), durante o anúncio de investimentos no sistema penal cearense.

Segundo a SAP, o túnel descoberto agora é diferente dos que foram localizados pelo Governo durante uma fuga de detentos em 2016. Àquela época, a unidade abrigava alguns dos criminosos considerados mais perigosos do Estado, uma vez que ainda não existia a Unidade Prisional de Segurança Máxima (UP-Máxima), que só viria a ser inaugurada em 2021.

Investimentos federais na segurança pública do Ceará

O Ceará recebeu, nesta quarta-feira (14), um novo georradar, três drones e três kits de varredura eletrônica. Até o fim do ano, serão entregues mais equipamentos, o que garante um investimento federal de cerca de R$ 23 milhões para reforçar a segurança prisional no Estado.

Os novos aparelhos darão suporte à polícia penal cearense em pelo menos nove presídios, que passarão a ter padrão de "segurança máxima". "Para a gente, é um ganho imenso essa transformação de nove unidades nossas em nível de segurança máxima. Quando eu tenho uma unidade de segurança máxima, o preso pensa duas vezes antes de cometer uma infração dentro do sistema prisional e continuar nas facções", entende Albuquerque.

Com os novos investimentos no sistema prisional cearense, mais unidades terão padrão de
Legenda: Com os novos investimentos no sistema prisional cearense, mais unidades terão padrão de "segurança máxima". Atualmente, o Ceará tem apenas um presídio de segurança máxima, localizado em Aquiraz.
Foto: Divulgação/MPCE.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o georradar auxilia na detecção de túneis, cavidades e alterações no solo e em estruturas que possam comprometer a segurança das unidades prisionais. Já os drones são equipados com sensores térmicos e alcance de 1,5 quilômetro de altura, enquanto os kits de varredura são capazes de localizar componentes eletrônicos mesmos desligados e identificar sinais de dispositivos de comunicação. 

O novo aparato tecnológico da SAP também conta com aparelhos de raio-X, scanners corporais, detectores manuais de metal e viaturas-cela.

As entregas são acompanhadas pela capacitação das equipes, que são treinadas por policiais penais federais. Um dos cursos foi aplicado na primeira quinzena deste mês de outubro, referente à análise de imagens e identificação de ameaças e objetos ilícitos. Na formação, foi abordado o uso de raios-X e scanners corporais com apoio de inteligência artificial. Nesse mesmo período, outra turma foi capacitada para o uso dos kits de varredura.

Relembre outros túneis encontrados no sistema prisional do Ceará nos últimos 10 anos

O Diário do Nordeste acompanha os registros de fugas e de túneis encontrados no sistema prisional cearense. Relembre alguns:

2016

Cinco presos fugiram da antiga Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL 3), em Itaitinga, por um túnel. Àquela época, a rotina de fugas nas unidades penitenciárias do Estado havia se agravado devido às rebeliões que aconteceram durante uma greve de agentes penais.

2017

Em março, ao menos 11 detentos da CPPL 3 escaparam do Complexo de Itaitinga por um túnel. Em junho, agentes penitenciários encontraram um outro túnel na CPPPL 1, mas não foram registradas fugas. O espaço foi cavado por detentos dentro de uma das vivências e tinha ventilação e iluminação improvisadas.

Também em junho, foi descoberto outro túnel que seria utilizado para fugas. Ele tinha 18 metros de extensão e estava a dois metros da muralha da Penitenciária Industrial Regional do Cariri (Pirc), em Juazeiro do Norte.

2018

O ano de 2018 registrou diversas fugas. Uma delas foi em junho, na Pirc, por meio de um túnel de 50 centímetros de largura. Já em agosto, outro buraco semelhante foi descoberto por agentes penais na CPPL 3, em Itaitinga. Em agosto, mais um túnel foi achado na Pirc e, em setembro, outro foi localizado na Cadeia Pública de Camocim.

Em dezembro, quatro presos de uma facção já extinta conseguiram fugir por um túnel do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira (IPPOO 2). Eles acompanharam um cano de água e conseguiram atravessar a muralha da unidade penitenciária.

2019

Não foram localizadas reportagens a respeito.

2020

Não foram localizadas reportagens a respeito.

2021

Não foram localizadas reportagens a respeito.

2022

Não foram localizadas reportagens a respeito.

2023

Não foram localizadas reportagens a respeito.

2024

Um vídeo gravado na cela de um detento que fugiu da Unidade Prisional Professor Clodoaldo Pinto (UP-Itaitinga 2), na Região Metropolitana de Fortaleza, mostrou diversos sacos de areia provenientes de um buraco cavado no local do vaso sanitário. As imagens foram registradas durante a fuga de um preso.

Outros 11 homens também tentaram escapar, mas foram interceptados antes de conseguirem deixar a unidade prisional.

2025

Não foram localizadas reportagens a respeito.

2026

Não foram localizadas reportagens a respeito.

Sistema penal cearense terá laboratório de inteligência

Outro investimento no Estado, anunciado nesta quarta-feira, foi o laboratório de inteligência do sistema penal. A iniciativa, que ainda está em caráter de teste, busca aproximar profissionais da SAP, universidades, empresas de tecnologia e outros parceiros.

"A proposta é transformar os desafios identificados por quem trabalha nas unidades prisionais em projetos de pesquisa e novas tecnologias para a inteligência penal", explica a Senappen. No parque de testagem, equipamentos e soluções serão experimentados, avaliados e aprimorados antes de serem adotados em outras unidades prisionais do País.

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