Grupo acusado por morte de duas amigas executadas a tiros em Fortaleza não irão a júri popular, segundo decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE). As jovens Gabriela Sousa da Silva e Krislla Maria Freire Jorge foram alvejadas a tiros na 'Comunidade do Pesadelo', no bairro Jangurussu, em 25 de março de 2025.
Durante a investigação, segundo o Diário do Nordeste apurou, surgiram contradições entre as informações prestadas inicialmente à Polícia e os depoimentos perante o juiz. Um dos principais pontos foi que o sobrevivente que estava no veículo não identificou nenhum dos acusados como autores dos disparos.
A decisão de impronunciar o grupo de cinco homens, ou seja, não os levar a júri, foi proferida em maio último pela 2ª Vara do Júri, mas o processo estava na fase de recursos. Em setembro, a 2ª Câmara Criminal do TJCE (TJCE) manteve a decisão favorável aos acusados e nessa última terça-feira (27) houve o trânsito em julgado tornando a impronúncia definitiva.
O grupo foi solto pela Justiça no dia 26 de maio deste ano. A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) investigou o caso em duas principais linhas: ciúmes do ex-namorado de uma das vítimas ou atuação de uma facção criminosa que domina a região do Jangurussu.
Os acusados eram, Kairo Gabriel Rodrigues Dias, o 'KG'; Alison Souza do Nascimento (ex-namorado de uma das vítimas); Francisco Breno Carvalho Lima, o 'Fofão', Gerson dos Santos Marques, o 'Jefinho'; e Gabriel Pereira de Sousa, o 'Biel'.
Por que os réus foram absolvidos?
Ao rejeitarem o recurso do Ministério Público, o Colegiado de desembargadores fez as seguintes pontuações: Nenhuma testemunha ouvida em juízo identificou os acusados como responsáveis pelos disparos fatais; a testemunha protegida não confirmou perante a Justiça as informações prestadas durante a investigação; também não foram apresentadas provas técnicas suficientes para vincular os acusados aos tiros; a perseguição ao veículo, isoladamente, não comprovava participação nos homicídios; e as suspeitas e depoimentos baseados em informações de terceiros não eram suficientes para justificar um julgamento pelo Tribunal do Júri.
A impronúncia, entretanto, não significa absolvição. Ela significa que, até o momento, o Judiciário entendeu que não haver provas suficientes para enviar o caso a julgamento. Caso surjam novas provas, o Ministério Público poderá oferecer uma nova denúncia, como prevê o artigo 414 do Código de Processo Penal (CPP).
Por nota, a defesa de Kairo, patrocinada pelos advogados Pedro Aquino, Paulo Quezado e Eduardo Quezado, afirmou que a decisão foi acertada. "A defesa recebe com satisfação e serenidade a decisão do Tribunal de Justiça que, confirmando a o entendimento do Juízo da 3ª Vara do Júri de Fortaleza, manteve a impronúncia do acusado, levando em consideração a demonstração da inexistência de qualquer participação do constituinte no episódio delitivo", reforçou Pedro Aquino.
O Diário do Nordeste não localizou as defesas dos demais impronunciados. O espaço está aberto.
Perseguição e mortes
Gabriela e Krislla haviam saído em um Jeep Compass, pertencente a um suíço que Gabriela estava se relacionando, para "dar uma volta". Elas resolveram passar pela casa da atual namorada do ex-namorado de Gabriela, onde, segundo testemunhas, "teriam tirado onda" e debochado.
Um amigo da dupla, identificado como Ícaro César Souza, também estava no carro. Eles passaram mais de uma vez pela residência, onde também estava Alison Souza do Nascimento, ex de Gabriela que não irá a júri.
A investigação apurou que Alison teria arremessado uma garrafa contra o Jeep. Depois disso, os amigos de Alison, que também foram impronunciados, dividiram-se em três motos e teriam começado uma perseguição ao veículo.
Após poucos minutos de perseguição, o carro teria entrado na 'Comunidade do Pesadelo', uma área sem câmeras de segurança. Nesse momento, o Jeep Compass estava andando em alta velocidade e com os vidros fechados, quando foi alvejado com tiros de diferentes direções.
Gabriela Sousa, que dirigia o veículo, foi atingida por uma bala que atravessou o pulmão esquerdo e o coração, causando uma hemorragia torácica.
Krislla foi atingida por um disparo na cabeça, que causou um traumatismo crânio-encefálico. As jovens foram levadas com urgência ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiram aos ferimentos. Ícaro sobreviveu e disse, em depoimento, que Gabriela parou o carro depois de ser atingida, momento em que ele desceu do veículo e correu para casa.
O jovem disse que viu as motos que perseguiam o carro, mas que não tinha certeza se os tiros tinham vindo da mesma direção. Os acusados confessaram a perseguição, mas negaram os disparos.