As extorsões de comerciantes em troca da autorização da facção Comando Vermelho (CV) para venda de água no Complexo da Rosalina, em Fortaleza, começaram ainda no dia 2 de novembro deste ano. A reportagem apurou que lideranças da organização ordenavam cobrança de R$ 1,50 por cada garrafão de água mineral.
Mikael Melo Moreira, o 'Mixaria', e Daniel Oliveira da Silva, o 'Daniel Trator', seriam os responsáveis por coordenar as ameaças nas comunidades da Rosalina, Riacho Doce, Jardim União I e II e Parque Dois Irmãos.
Na última sexta-feira (6), a dupla e outros três suspeitos foram presos em flagrante pelo crime de 'domínio social estruturado'. Todos eles passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões convertidas em preventiva.
QUEM SÃO OS PRESOS PELAS EXTORSÕES EM FORTALEZA:
- Daniel Oliveira da Silva
- Mikael Melo Moreira
- Wesley Ferreira Gomes
- Francisco Emídio de Araújo
- Antônio Ebervan Santos da Silva
As ameaças aos comerciantes eram feitas presencialmente desde que 'Daniel' teria "arrendado o controle da área" para Mikael.
POLICIAIS FIZERAM CAMPANA
Na tarde da última sexta-feira (6), policiais montaram campana nos arredores de uma distribuidora de água mineral. Eles observaram que chegou ao local um veículo acompanhado de reboque.
Minutos depois, o carregamento do veículo foi abordado na Avenida Bernardo Manuel e, segundo os investigadores, levado por Mikael, Wesley, Francisco e Antônio Ebervan.
No carro eram transportados 90 garrafões de água mineral de 20 litros, destinados a um mercadinho.
Em ação simultânea, outra equipe de agentes localizou e prendeu Daniel Oliveira, na residência do suspeito, em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Na delegacia, os suspeitos negaram envolvimento com a facção criminosa, assim como disseram não ter relação com nenhuma cobrança aos comerciantes.
Na versão de Mikael, ele é proprietário de uma revenda de água na Rosalina. Francisco disse que é comerciante desde 2019 e que Mikael, seu cunhado, o acompanhava na compra de água, enquanto Wesley e Antônio atuavam como funcionários entregando os garrafões.
TESTEMUNHAS SIGILOSAS
O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu as prisões preventivas de todos os autuados. O juiz decidiu pela manutenção do cárcere, assim como autorizou o acesso, a extração e a análise dos dados armazenados nos aparelhos celulares apreendidos com o grupo.
"A gravidade em concreto da conduta atribuída aos agentes é bastante elevada. Há indicativos de que, por meio de ameaças a comerciantes, a facção passou a decidir quem pode vender água mineral em comunidades inteiras, a que preço e de qual fornecedor, apropriando-se do acesso da população a um bem essencial à vida, em contexto estadual no qual a mesma prática levou à suspensão de entregas em bairros desta Capital e em municípios do interior, chegando-se, em Banabuiú, à necessidade de escolta policial para a venda de água", ponderou o magistrado.
Ainda conforme o juiz, a soltura imediata neste momento "permitiria a pronta retomada da distribuição monopolizada e o contato com comerciantes-vítimas ainda não identificados e ouvidos, em ambiente no qual as três testemunhas somente aceitaram depor sob sigilo, inclusive um policial militar, por temor de represálias".
ESCOLTA POLICIAL
Também nos primeiros dias deste mês de novembro, foram registradas ameaças a comerciantes de água mineral na cidade de Banabuiú, Interior do Estado.
Foi necessário reforço de policiamento ostensivo no município, assim como escolta policial aos moradores para compra de garrafões.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que a situação em Banabuiú foi normalizada no fim da última semana
Desde julho de 2025, até essa quinta-feira (5), 176 pessoas foram presas por ameaças e extorsões a comerciantes, segundo informações da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Pelo menos 10 suspeitos foram presos pelas extorsões e ameaças em Banabuiú. As ordens para os crimes teriam partido de lideranças do CV escondidas no Rio de Janeiro.