Instituições focam em grandes operações para combater facções

Nos últimos meses, o Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) têm deflagrado seguidas ações para combater organizações criminosas que atuam no Estado

Primeiro Comando da Capital (PCC). Comando Vermelho (CV). Guardiões do Estado (GDE). No momento em que o Estado e as instituições assumiram a presença das três grandes facções criminosas no Ceará, conseguiram também unir as forças e intensificar grandes operações para combater o crime organizado. Ontem, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), com apoio da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), deu mais um passo para enfraquecer um braço poderoso do CV.

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) deflagraram a Operação Piranji II para cumprir 36 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Pindoretama, Cascavel, Beberibe e Maracanaú, além de Baraúna, no Estado do Rio Grande do Norte.

As diligências começaram no início do dia e se estenderam por toda a quinta-feira (14). O MPCE não divulgou a identificação dos denunciados capturados. Entre os alvos da Operação estavam traficantes e homicidas - alguns deles já presos - e uma advogada, que foi detida no escritório dela (onde também morava), no bairro Sapiranga, em Fortaleza.

Segundo o MPCE, ela é suspeita de ligação com o grupo criminoso. Esse braço do Comando Vermelho é liderado por Francisco Jales Fernandes da Fonseca, o 'Zag', tido como um dos principais nomes da facção no Ceará e responsável por contatos que trazem grandes cargas de droga ao Estado. A quadrilha já tinha sido desarticulada na Operação Piranji, deflagrada em 29 de novembro de 2018. Na ocasião, o MPCE cumpriu um mandado de prisão contra 'Zag', que já se encontrava recluso em um presídio de Itaitinga.

Durante toda a investigação, foram apreendidos 12 kg de cocaína, 338 kg de maconha, 5 kg de crack e mais de R$ 50 mil em espécie, e capturados mais de 60 suspeitos de envolvimento com a quadrilha. Dentre estes, 53 foram denunciados pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico de entorpecentes, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Foco

A operação do Gaeco contra o braço do CV é mais uma ação das instituições investigativas no combate ao crime organizado. Quando o Estado finalmente assumiu a presença das facções, PCC, CV e GDE já tinham se proliferado pelas periferias da Capital, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e Interior. A guerra entre criminosos pelo domínio do tráfico de drogas resultou no ano mais violento da história do Ceará, que foi 2017, quando foram registradas mais de 5 mil mortes violentas; e a uma sequência de chacinas em 2018.

Somente depois da carnificina, o Estado se sentiu pressionado a mudar as estratégias de combate ao crime organizado. Um promotor de Justiça, que não quis se identificar, afirmou que reuniões convocadas pelo Governo, com a presença das Forças de Segurança e do Sistema Penitenciário e outros órgãos como o Ministério Público e o Tribunal de Justiça do Ceará, naquele momento, selaram um "pacto" para atacar as facções criminosas.

"Aqui no Ministério Público, o Gaeco trabalhava bastante com crimes contra a administração pública, envolvendo agentes públicos e prefeituras. Entretanto, o procurador-geral da República determinou que a gente se esforçasse no combate às facções criminosas. Hoje, 80% do Grupo de Atuação Especial estão voltados para isso. E está dando resultado", analisa.

O cerco começou a se fechar em torno da facção Guardiões do Estado, a única nascida no Ceará e caracterizada pela crueldade. O fato desencadeador foi a Chacina das Cajazeiras, que deixou 14 mortos no Forró do Gago, em janeiro do ano passado. Meses depois, os principais líderes da GDE estavam presos.

Outras grandes investigações e operações se seguiram, como a ação batizada de 'Soure', que cumpriu 153 mandados judiciais em Fortaleza e na Região Metropolitana contra membros da GDE e do CV, em abril de 2018. O interior também foi palco de ofensivas policiais contra dezenas de suspeitos de integrar organizações criminosas.

Transferências

Quando o Governo anunciou o nome do policial "linha-dura" Mauro Albuquerque para assumir a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), as facções se revoltaram e promoveram a maior série de ataques criminosos a propriedades e bens públicos e privados da história do Ceará. O Estado, por sua vez, divulgou que deu mais um passo no combate ao crime organizado, isolando líderes das facções em presídios federais de segurança máxima.

Para um investigador especializado no combate ao crime organizado, a estratégia do Estado diminuiu o poder das facções criminosas e já começou a surtir efeito nas ruas. "Melhorou, com certeza. A queda nos índices de homicídios e roubos é uma prova disso. Mas temos muito a avançar. Há várias investigações que não podem ser divulgadas ainda", diz.