A recente redução dos índices da criminalidade no Ceará significa que a população está mais segura? Como saber se as políticas públicas de segurança estão funcionando? E como os dados contribuem para compreender os movimentos criminosos que "se escondem" das estatísticas oficiais?
Essas são algumas das questões abordadas no quarto episódio do Além da Ocorrência, podcast do Diário do Nordeste dedicado a discutir os desafios da segurança pública. A entrevistada é Juliana Barroso, superintendente da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) do Ceará e primeira mulher a chefiar o órgão.
Com o título "Menos crime, mais segurança?", a conversa busca explicar como evidências, pesquisas e informações qualificadas podem formular políticas públicas mais eficazes.
No último mês de setembro, o Diário do Nordeste noticiou que, nos sete primeiros meses deste ano, o Estado obteve a maior redução nacional de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) do Brasil. Os dados foram organizados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e incluíam homicídios dolosos, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios.
Leitura de estatísticas exige atenção à metodologia e ao contexto da criminalidade
Neste episódio, o ouvinte saberá como os indicadores que acompanham a criminalidade no Estado são produzidos e como são utilizados para orientar e avaliar os resultados das ações de segurança pública. Mas, ao mesmo tempo, entenderá que a leitura desses dados exige atenção à metodologia, ao contexto e às particularidades de cada território.
Na entrevista, Juliana afirma que as análises das autoridades não desconsideram a percepção de insegurança da população. Principalmente porque uma queda nos registros de determinados crimes, por exemplo, não consegue explicar, isoladamente, como a violência se manifesta em um lugar.
A edição também aborda a confiabilidade das estatísticas. Explica como as informações são coletadas, registradas e disponibilizadas pelo Governo, e debate a importância da transparência e da comunicação adequada dos números para garantia da fiscalização popular.
Por dentro da Supesp
Com 50 funcionários atualmente, sendo 29 servidores públicos e 21 colaboradores, a Supesp funciona desde 2018. Ela foi criada para produzir, analisar e disponibilizar as estatísticas relacionadas à segurança pública no Ceará. A proposta, segundo a Lei 16.562, que criou a superintendência, é produzir estudos para subsidiar a elaboração, o acompanhamento e a avaliação das políticas públicas de prevenção à violência e contribuir na formulação de estratégias para as autoridades de segurança.
Dentre os profissionais que trabalham na instituição, estão estatísticos, geógrafos e sociólogos, economistas e programadores.
O quarto episódio do Além da Ocorrência reúne diferentes perspectivas sobre a segurança pública: da análise de indicadores e da formulação de políticas baseadas em evidências à transparência, à inteligência policial e à participação das mulheres nos espaços de decisão.
Sobre o Além da Ocorrência
O Além da Ocorrência é um produto original da editoria de Segurança do Diário do Nordeste. Apresentado pela repórter Luana Severo, com supervisão e edição do jornalista Emerson Rodrigues, o podcast busca mergulhar na complexidade de temas que vão muito além do plantão policial e terá oito episódios nesta primeira temporada.
Cada episódio tem um tema específico e ouve um convidado diretamente envolvido com o assunto.
Serviço
Podcast Além da Ocorrência
Onde ouvir: no Spotify e em todas as outras plataformas de áudio do Diário do Nordeste
Produção, apresentação e roteirização: Luana Severo
Edição de conteúdo e de áudio: Emerson Rodrigues