Ana Elisa Santos (PT), de 21 anos, foi eleita deputada federal por Minas Gerais com mais de 524 mil votos. Com mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, a estudante de direito já vinha mostrando forças nas redes sociais e foi a segunda candidata mais votada ao cargo.
A influenciadora também foi a mulher mais votada na história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem do país.
Com sua influência digital, Ana Elisa foi convocada pela equipe do presidente Lula (PT) para ajudar na estratégia de comunicação de Lula, que busca reeleição no segundo turno.
Primeira disputa eleitoral
Natural de Divinópolis, Ana Elisa foi criada por mãe solo, que trabalha como professora de português na rede pública. Antes de entrar na política, a jovem trabalhava como estagiária de Direito no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), até pouco meses da eleição, Ana recebia cerca de R$ 1.700 por mês.
Ana Elisa ganhou visibilidade nas redes sociais quando começou a publicar vídeos sobre temas de relevância como política, direitos sociais, racismo e feminismo.
O convite para sua primeira disputa eleitoral veio em março deste ano, de acordo com a deputada. Ana Elisa disputou ao cargo pelo PT e protagonizou uma votação histórica. Agora a jovem busca melhorar a comunicação do partido neste segundo turno.
"É um momento de nós entendermos que rede social elege, sim, e irmos para as redes sociais. Para as ruas nós já vamos, mas nós precisamos ir para as redes", declarou.
Alvo de ataques
Nesta semana, Ana Elisa denunciou ameaças de morte e estupro, além de ataques racistas que recebeu e vem recebendo desde sua campanha eleitoral. Nos e-mails enviados à deputada, o autor se define como "integrante de um grupo supremacista branco" e a ameaçou.
A jovem expôs algumas das ameaças que recebeu.
"Estou escrevendo isso porque decidi que você merece o fim mais humilhante da sua carreira política antes de eu pôr um fim na sua miserável vida inteira", escreveu o remetente do e-mail.
A equipe de Ana Elisa informou que as providências policiais e judiciais já estão sendo tomadas, inclusive a identificação do autor dos e-mails. A Polícia Civil investiga o caso.
A jovem também teve que desativar o X, antigo Twitter, em razão dos ataques: “A minha equipe desativou a minha conta no Twitter porque nós estávamos recebendo ameaças de morte a cada dois minutos. Ameaça de morte e ameaça de estupro”.
Em nota, Ana Elisa disse que a internet não é terra da impunidade e que os culpados serão responsabilizados.
"A tentativa de intimidar uma mulher negra para afastá-la da disputa política será respondida com denúncia, investigação e responsabilização", concluiu.