Pesquisa Quaest CE: Ciro se mantém estável e líder no eleitorado evangélico, e Elmano cresce

O candidato petista também ultrapassou, numericamente, o tucano no eleitorado católico.

Escrito por Luana Barros luana.barros@svm.com.br
25 de Setembro de 2026 - 06:00
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Legenda: Pesquisa Quaest mostra intenção de voto de eleitores cearenses de acordo com a religião.
Foto: (1) Thiago Gadelha/ (2) Fabiane de Paula.

O comportamento do voto religioso na disputa pelo Governo do Ceará foi medida pela segunda rodada da Pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (23). Os números fazem referência à intenção de voto para o 1º turno da eleição. 

Enquanto entre os católicos, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) empatam dentro da margem de erro de 4 pontos percentuais — com liderança numérica do petista, que tem 43% da intenção de votos, contra 40% do tucano —, entre os evangélicos houve uma maior variação nos números. 

Apesar de Ciro Gomes manter a liderança no segmento evangélico, com 54% da intenção de votos, o percentual do candidato do PSDB é o mesmo da primeira rodada da Pesquisa Quaest, divulgada em 4 de setembro. 

Por outro lado, Elmano de Freitas subiu 11 pontos em relação ao levantamento anterior, saindo de 17% para 28%. Nesta segmentação dos eleitores, a margem de erro é 7 pontos percentuais. O que significa que o candidato do PT cresceu acima da margem de erro. 

Veja os números: 

Evangélica (ME = 7pp)

Ciro

  • 04/09 - 54%
  • 23/09 - 54%

Elmano

  • 04/09 - 17%
  • 23/09 - 28%

Outros candidatos

  • 04/09 - 4%
  • 23/09 - 4%

Indecisos

  • 04/09 - 12%
  • 23/09 - 8%

Branco/Nulo

  • 04/09 - 13%
  • 23/09 - 6%


Católica (ME = 4pp)

Ciro

  • 04/09 - 42%
  • 23/09 - 40%

Elmano

  • 04/09 - 41%
  • 23/09 - 43%

Outros candidatos

  • 04/09 - 1%
  • 23/09 - 2%

Indecisos

  • 04/09 - 12%
  • 23/09 - 9%

Branco/Nulo

  • 04/09 - 4%
  • 23/09 - 6%

O levantamento ouviu 900 eleitores, com 16 anos ou mais, entre os dias 19 e 22 de setembro no território cearense. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número CE-08268/2026 e foi contratada pela TV Verdes Mares. 

A metodologia é quantitativa, com entrevistas presenciais e domiciliares aplicadas a uma amostra representativa da população com 16 anos ou mais residente no Ceará.  

Como ocorre em levantamentos desse tipo, os resultados representam um retrato do momento e podem sofrer alterações até o dia da votação. 

O  voto religioso no 2º turno

Ciro Gomes manteve percentuais semelhantes entre os eleitores evangélicos desde o levantamento divulgado em 4 de setembro. Nele, Ciro teve 60% da intenção de votos entre os evangélicos. Agora, ele tem 59%. 

O candidato, portanto, teve apenas uma oscilação do percentual dentro da margem de erro, que é de 7 pontos percentuais. 

Intenção de votos em Ciro entre evangélicos - 2º turno

  • 04/09 - 60%
  • 23/09 - 59%

Na primeira rodada, em 4 de setembro, o governador Elmano de Freitas (PT) tinha 20% das intenções dos votos entre evangélicos. Agora, Elmano chega a 33% dos eleitores nesse campo — o que representa um crescimento de 13 pontos percentuais. 

Intenção de votos em Elmano entre evangélicos - 2º turno

  • 04/09 - 20%
  • 23/09 - 33%

Falta de mobilização do voto evangélico

A estagnação dos votos de Ciro Gomes pode ter diversos motivos. É o que aponta o professor de Teoria Política da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Emanuel Freitas. A falta de identificação de Ciro com o bolsonarismo, a fragmentação na campanha de oposição e a falta de mobilização do voto religioso são algumas das razões citadas por Freitas.

"O Ciro mantém uma certa resiliência nesse eleitorado, mas ele não cresce", pontua. Essa manutenção dos 54% da intenção de votos, explica, fala sobre a aliança com lideranças importantes vinculadas ao segmento evangélico, como a deputada estadual Dra. Silvana (PL) e os federais Dr. Jaziel (PL) e André Fernandes (PL).  Em comum, os três parlamentares possuem uma forte ligação ao bolsonarismo, que possui forte identificação com a maioria dos eleitores evangélicos. 

Contudo, Ciro Gomes tem rejeitado qualquer aproximação com o bolsonarismo. "O Ciro está sendo dito como candidato do lado que seria o lado dos evangélicos, pelo inimigo do Ciro, pelo adversário do Ciro, não pelo próprio Ciro".

"Tem um peso diferente. Por mais que se diga que ele está andando com os bolsonaristas e por mais que o Governo (Elmano) esteja o tempo todo dizendo na propaganda que o Ciro é o candidato do Bolsonaro, mas outro sentido tem o próprio candidato dizer-se como tal".
Emanuel Freitas
Professor de Teoria Política da Uece

Freitas pondera, então, que muitos dos evangélicos não identificam em Ciro o candidato mais identificado ao campo político apoiado por eles e, portanto, acabam não fazendo a escolha pelo tucano. A isso, se soma o perfil que vem sendo adotado pela campanha da chapa de oposição, considera o professor. 

"A oposição não está fazendo também essa campanha do voto religioso", acrescenta. "Se a oposição não está mobilizando o voto religioso, fica difícil então para o Ciro crescer nesse eleitorado, porque é como se esse eleitorado não tivesse sendo mobilizado".

Emanuel Freitas pontua que mesmo Alcides Fernandes (PL), candidato ao Senado Federal, não tem feito essa mobilização. "Está faltando isso da parte da oposição e é até estranho, porque tem um pastor candidato a senador", diz ele, em referência a Alcides. 

"É como se o Ciro tentasse fazer uma candidatura sem identidade. E a campanha da oposição está toda fragmentada. É como se tivesse a campanha do Ciro, aí a campanha do Wagner... Porque o Wagner não está pedindo voto pro Alcides. (...) Então, é uma campanha muito separada, como se cada um tivesse buscando o seu quinhão. E e isso causa alguns problemas, especialmente para o Ciro". 
Emanuel Freitas
Professor de Teoria Política da Uece

Estratégias da campanha de Elmano

A cientista política Cleris Albuquerque reforça que, historicamente, "a esquerda é mais distanciada dos evangélicos". "É notório esse movimento de aproximação com essa classe", afirma. "E captar esse voto evangélico é fundamental e provavelmente vai ser decisivo para a vitória". 

Ela cita elementos que podem ter contribuído para esse crescimento de Elmano de Freitas dentro desse segmento, como a própria aprovação do governador, que tem 56% de aprovação entre os cearenses, mas também um direcionamento de agendas voltadas aos evangélicos. 

Emanuel de Freitas cita ainda aliados de Elmano de Freitas, como o partido Republicanos, que possui ligação com lideranças de igrejas evangélicas, além de parlamentares identificados com esse segmento da sociedade cearense. 

"O Elmano não tem lá grandes coisas, especialmente, do ponto de vista da agenda moral, para se acusar ele de anticristão. Tem muito fresco na memória o 'Bíblia nas Escolas', de dois anos atrás. Tem as aproximações também do Elmano com algumas lideranças evangélicas aqui no Ceará. (...) Isso faz diferença", explica.

Cleris Albuquerque aponta que, para os últimos 10 dias de campanha, vai ser necessário que os dois candidatos façam um exercício de equilíbrio, para avançar dentro do eleitorado evangélico, marcadamente conservador, mas sem perder eleitores progressistas. 

"É buscar um meio-termo para equilibrar. É como se fosse um balanceamento com o jogo de pratinhos, de equilibrar os votos dos dois lados. De ter uma agenda que integre e que atenda as demandas desse eleitorado evangélico e também de atender esse voto do eleitorado mais da esquerda, aquele eleitorado mais progressista e raiz".
Cleris Albuquerque
Cientista política

Ela pontua ainda que deve ser essencial a disputa pelos votos indecisos, que existem inclusive dentro do segmento religioso — representando cerca de 8% entre evangélicos e 9% entre católicos. "Tanto o Ciro quanto o Elmano têm que buscar esse eleitor que ainda pode virar o voto e trazer para o seu campo de voto", reforça.

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