Deputado defende que jogo do bicho contribui para 'formação do caráter brasileiro'

Bacelar se mostra favorável ao projeto de lei que quer legalizar e regulamentar jogos de azar no país

Deputado federal Bacelar
Legenda: O principal argumento do político é que independente de ser legalizado a prática ocorre no país e o Estado perde dinheiro ao não taxá-la
Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

O deputado federal Bacelar (Podemos-BA) defendeu a aprovação do projeto de lei conhecido como Marco Regulatório dos Jogos. Segundo o coordenador do grupo de trabalho que analisa a PL 442/91 na Câmara, os jogos de azar, em especial o jogo do bicho, “têm um papel importante na formação do caráter brasileiro”, além de ser uma marca do nacionalismo.

“A proibição é que leva ao jogo clandestino, e o jogo clandestino que leva à corrupção, seja qual for a modalidade. Nós queremos modificar esse quadro. Eu diria que o jogo do bicho, ao lado da cachaça e do samba, são as únicas coisas genuinamente brasileiras, é um patrimônio cultural do país também. Ajudou a formação desse país. O jogo do bicho tem um papel importante na formação do caráter e da sociedade brasileira”, declarou em entrevista ao jornal Metrópoles.

O parlamentar ainda comentou sobre a rejeição da proposta por parte da base do Governo Federal na Casa legislativa, em especial na bancada evangélica. Conforme o político, o discurso contrário é motivado pelo oportunismo eleitoral. 

"Acho, na verdade, que não é nem uma questão religiosa. Tem um pequeno nicho que, para alimentar seu eleitorado, para alimentar o ‘nós contra eles’, ‘os puros contra os maus’, ‘os anjinhos contra os diabinhos’, ficam requentando teses e ideias muito antigas e que não ajudam nosso país em nada”, disse.

A prática de jogos de azar é proibida no Brasil desde abril de 1946. O grupo coordenado por Bacelar foi criado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), para elaborar um novo texto sobre o tema. 

"Não é uma questão político-partidária, é uma questão econômica. Vamos aprender com os exemplos dos países desenvolvidos. Não há um país desenvolvido no mundo onde o jogo seja proibido. Em civilizações mais adiantadas do que a nossa, países economicamente mais fortes que o nosso, sociedades mais justas e igualitárias do que a nossa, o jogo é permitido", disse à publicação. 

O principal argumento do deputado federal é que independente de ser legalizado os jogos de azar ocorrem no país. Conforme ele, o único prejudicado pela proibição é o do Estado, que não arrecada sobre a atividade e perde o controle na fiscalização.

“O que o Brasil está evitando é gerar impostos, empregos. Se legalizarmos o jogo do bicho hoje, dentro de 30 dias 400 mil brasileiros terão suas carteiras de trabalho assinadas, porque são os apontadores do jogo do bicho. São 400 mil brasileiros que não têm acesso aos benefícios trabalhistas porque atuam numa atividade considerada contravenção”, declarou.