A responsabilidade de Silvio Romero

O atacante argentino chega ao Leão cercado de todas as expectativas. Nele são depositadas as esperanças tricolores com relação à feitura de muitos gols. O currículo o coloca como um atacante perigoso, de finalizações precisas. Solução para um problema que vinha inquietando a diretoria do clube e a comissão técnica. Costumo dizer que toda contratação é uma operação de risco. Mas o risco pode ser minimizado na medida em que se proporciona ao atleta todas as condições de rápida adaptação. A polêmica de sua contratação ampliou sobremaneira a repercussão do caso. Uma coisa é uma contratação normal.

Outra coisa é a contratação por meio de uma rasteira.  Gera na torcida de quem contrata enorme satisfação, mas, na torcida de quem levou a rasteira, gera o sentimento de resistência e antipatia. Jogadores tarimbados como Sílvio Romero sabem lidar muito bem com isso. A missão dele é passar por cima de todas as circunstâncias, máxime as desfavoráveis, e dar a resposta em campo. A análise feita antes da contratação foi criteriosa. Ele preencheu todos os requisitos para o exercício da missão. Agora é saber honrar a camisa que um dia teve como ídolo o saudoso artilheiro Croinha.

 

Sem desespero 

 

No mercado da bola, a disputa pelos atacantes “Camisa 9” tornou-se aguda. Está complicada a coisa. É como procurar agulha no palheiro. Mas não vejo motivo para desespero. Aliás, cometerá grave equívoco quem se deixar levar pela pressa para resolver uma questão tão difícil. Diante da demanda, são poucos os verdadeiramente bons. A valorização vem exatamente disso. 

 

Tesouro 

 

Quem tem um bom “Camisa 9” tem uma joia. Quem tem um excelente “Camisa 9” achou uma botija, não no sentido das fortunas ditadas pelas lendas, mas tesouro de elevado valor no riquíssimo mercado do futebol. Muito se disse que o centroavante nato era peça em extinção. Ledo engano: é peça de valorização. Quem tiver um que segure. 

 

Resolve 

 

A pergunta é: Zé Roberto resolverá o problema do comando de ataque do Ceará? Depende. Se o municiamento for de qualidade, ele pode emplacar sim. Há quem considere a necessidade mais um atacante. Tudo bem. Em um ano de tantas competições, quem tem três tem dois, quem tem dois tem um e quem tem um não tem nada. 

 

Dinheiro muito 

 

Perdi a noção de salário no mundo do futebol. Pelo visto, os times da Série A nacional, que querem permanecer na elite, têm de desembolsar elevadas quantias, bem além da imaginação. Salários de R $200 mil para cima. Não estou me referindo a ídolos. Claro que nas séries menores os valores são igualmente menores. Mas, mesmo assim, longe da realidade que entendo viável.