Transnordestina: afinal, qual será o preço do frete?

A concessionária diz que, por enquanto, o valor do frete ainda não reflete as reduções esperadas

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Até agora, a Transnordestina Logística S/A, concessionária da ferrovia, ainda não estabeleceu qual será o preço do frete dos seus trens
Foto: Kid Júnior / SVM
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Avançam em ritmo de frevo as obras de construção da Ferrovia Transnordestina, o maior investimento privado em execução no Brasil na área da infraestrutura de transporte. Sonho antigo dos que trabalham e produzem na região Nordeste, essa obra arrasta-se por mais de 10 anos, tempo que, na China, foi suficiente para a implantação da maior rede ferroviária mundial com trens de alta velocidade, mas esta é outra história que serve apenas de comparação entre o que pode fazer um país organizado e outro tentando há séculos organizar-se. Pois bem, essa ferrovia é vista e ansiosamente esperada pelas empresas desta região como um ponto de inflexão dos seus negócios, que poderão ampliar-se e até serem multiplicados a depender de como a Transnordestina Logística S/A entenderá e imporá suas relações com a clientela.  

Traduzindo para o português de arquibancada: empresários da indústria de mineração e de outros setores, comerciantes de secos e molhados, distribuidores de combustíveis, avicultores e pecuaristas, enfim, quem tem direto interesse na operação dessa moderna estrada de ferro em construção – estão todos na expectativa de como a Transnordestina Logística, empresa responsável pela obra de construção e pela sua futura operação comercial, posicionar-se-á no mercado.  

Há 100% de expectativa de que o custo do frete dessa ferrovia de mais de 1.200 quilômetros de extensão – ligando as áreas de produção agrícola do Sudeste do Maranhão e do Piauí, do Norte da Bahia e do Oeste de Pernambuco ao Porto do Pecém – será bem mais barato do que o rodoviário, hoje ainda utilizado para o transporte de soja e milho para a avicultura e a pecuária cearenses, por exemplo. Algumas operações comerciais já foram feitas pelos trens da Transnordestina Logística, e o resultado “não foi bom”, segundo confessou um pequeno empresário que reclamou, exatamente, do frete, “praticamente igual ao do caminhão”. Esta coluna já divulgou que um trem da Transnordestina, com 126 vagões de carga e tracionado por duas locomotivas a diesel, transporta o equivalente a 380 caminhões em uma única viagem. Ora, se é assim, o frete ferroviário deverá ser, “pelo menos, 30% mais barato do que o frete rodoviário”, como acentuou a mesma fonte.  

A área comercial da Transnordestina está dedicada a identificar e a fidelizar seus futuros clientes cearenses, pernambucanos, baianos, piauienses e maranhenses. Mas, para que esse esforço tenha êxito, terá ela de defrontar-se com os comparativos do frete rodoviário. O mercado nordestino necessita muito do modal ferroviário, que, com certeza, impulsionará não só as exportações regionais, mas também os negócios entre as empresas do Nordeste essencialmente as do Nordeste Ocidental.  

A coluna solicitou à direção da Transnordestina Logística um posicionamento sobre o assunto. A empresa transmitiu o seguinte comunicado:  

“Neste momento em que estamos realizando transporte comissionado da Ferrovia TLSA, com trens menores, transbordo direto entre caminhão/vagão e com terminais de carga em fase de conclusão, os valores das tarifas de frete ainda não refletem as reduções esperadas. Porém, quando a ferrovia estiver concluída e a operação entrando numa frequência maior e contínua, há uma tendência de redução de 20% em relação ao frete rodoviário. Essa redução poderá ser maior ou menor, a depender do tipo de carga, volume transportado, transbordo, extensão ferroviária percorrida entre origem e destino, dentre outros fatores.”  

BSPAR LANÇA HOJE O BS STEEL EM AÇO E VIDRO 

Corretores de imóveis, empresários da construção civil, pequenos e grandes investidores, além de jornalistas, verão hoje, às 18 horas, o lançamento do BS Steel, novo empreendimento imobiliária da BSpar, pilotada por Beto Studart. Trata-se de uma moderna e, tecnologicamente, inovadora torre comercial de 30 andares, que já está sendo erguido na esquina das avenidas Senador Virgílio Távora e Santos Dumont.  

A novidade desse projeto são sua estrutura em aço e vidro e, ainda, detalhes concebidos para unir atividades corporativas, comerciais (haverá um andar inteiro para restaurantes e lojas e mais seis pisos no subsolo destinados ao estacionamento de 600 veículos elétricos ou não, afora os andares para escritórios de empresas e de profissionais liberais). 

Beto Studart disse à coluna que o BS Steel colocará a cidade de Fortaleza na ponta da nova tecnologia arquitetônica, casando-a com o que há de mais avançado na engenharia da construção civil. Ele revelou que o VGV (Valor Geral de Vendas) do BS Steel é de R$ 750 milhões. 

ABRASEL ADVERTE: FIM DA ESCALA 6X1 “É UMA TRAGÉDIA”  

Falando à imprensa ontem à noite, o presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, advertiu que a aprovação, pelo Senado, da PEC que extingue a escala 6x1 “é uma tragédia socioeconômica anunciada e denunciada pela Abrasel. Ele afirma que "a medida “terá impactos extraordinários na sociedade. Os primeiros serão percebidos tão logo ela comece a vigorar, por conta dos serviços essenciais”. 

A PEC que acabou com a jornada 6x1, sem redução de salário, foi aprovada ontem pelo Senado Federal por 75 votos a favor e apenas um contra.  

De acordo com o presidente da Abrasel, 15 milhões de pessoas trabalham hoje em escala 6x1 e vão passar a trabalhar um dia a menos. Para manter a mesma oferta de serviços e cobrir esse dia, o país precisaria de mais 3 milhões de trabalhadores.

“Onde encontrar essa mão de obra? Certamente não há essa mão de obra sobrando. Vai ser um rouba-monte”, disse Solmucci, na opinião de quem muitos bares e restaurantes vão fechar um dia adicional por semana, seja pelo aumento do custo, seja pela falta de mão de obra.  

Os hospitais também podem não conseguir manter as portas abertas todos os dias, como alertou Francisco Balestrin, representante dos hospitais e clínicas de São Paulo, em reunião realizada ontem à noite, na Federação das Indústrias de São Paulo, a Fiesp. Balestrin defendeu uma legislação específica para o setor.  

“Nós vamos ver diversos serviços essenciais precarizados, e isso obviamente a sociedade vai sentir”, afirma Solmucci. 

O momento seguinte será um aumento generalizado de preços. Manter a qualidade do serviço vai custar mais. O estabelecimento que quiser continuar aberto seis dias por semana terá alta de 20% nos custos. Nos prédios residenciais, o condomínio pode subir de 18% a 20% para manter a mesma estrutura de serviço. O mesmo vale para um conjunto enorme de atividades. 

“O que a gente vê é uma primeira onda de precarização enorme dos serviços. Logo em seguida, aumento de custo, inflação grande e perda de poder aquisitivo da população, o que afeta inclusive o setor de bares e restaurantes, porque menos dinheiro no bolso significa menos consumo”, explicou. O próximo passo será o risco de recessão, que terá dois vetores: a queda da demanda, provocada pela perda de poder aquisitivo e pela alta de preços, e os juros, que vão subir ou continuar altos por mais tempo.” 

A Federação das Indústrias de São Paulo (FIesp) divulgou nota, na qual afirma que “a PEC trará impactos no funcionamento de setores essenciais, como saúde, educação, transporte, supermercados e químicos que precisam ser medidos com responsabilidade e seriedade. O mesmo vale para o trabalho informal, o aumento direto no boleto do condomínio e tantas outras despesas que vão pesar no bolso dos brasileiros.” 

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