Indústria têxtil mundial reúne-se hoje em Fortaleza

Empresários brasileiros e estrangeiros debaterão durante dois dias, no Centro de Eventos, o cenário nacional e internacional do setor

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: A indústria têxtil cearense (foto) tem grandes empresas, como Vicunha, SantanaTextiles, Têxtil União e Têxtil Bezerra de Menezes
Foto: José Rodrigues Sobrinho
Um oferecimento de:

Com a presença de centenas de empresários brasileiros e estrangeiros, abre-se hoje, no Centro de Eventos do Ceará, o Congresso Internacional Brasil 2026, que reunirá aqui, até amanhã, a cúpula da indústria têxtil nacional e mundial, que não esconde sua preocupação com o futuro próximo da economia global, tendo em vista as mudanças, algumas radicais, que se processam, em alta velocidade, na geopolítica planetária.  

O presidente da Federação das Indústrias do Ceará e vice-presidente Executivo da CNI, Ricardo Cavalcante, e o secretário do Desenvolvimento Econômico do governo do estado, economista Fábio Feijó, confirmaram presença na cerimônia de abertura do congresso, marcada para as 9 horas (o governador Elmano de Freitas cumpre agenda política em Brasília).  

No Brasil – e no Ceará, com ênfase – o cenário da indústria têxtil e de confecções enfrenta dois obstáculos, o primeiro dos quais atinge diretamente a cotonicultura: o avanço das fibras sintéticas, ou seja, aquelas de poliéster e não de algodão puro, natural e produzido no campo; o segundo é o crescimento das importações de roupas oriundas da Ásia, máxime da China. O centro comercial de Fortaleza, uma cidade de 3 milhões de habitantes, está tomado por pequenos comerciantes de origem asiática, que de lá importam tudo, principalmente confecções para homens, mulheres e crianças a preço muito barato e feitas com fios sintéticos. Além disto, há, também, a recentíssima isenção do chamado “imposto das blusinhas”, que abriu a porteira do mercado consumidor brasileiro para a entrada de vestuário de até US$ 50 (R$ 250 ao câmbio atual).  

Ricardo Steinbruch, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), e Fernando Pimentel, diretor-superintendente e presidente emérito da entidade, estão, ao mesmo tempo, felizes com a grandiosidade que ganhou o Congresso Internacional Brasil 2026 e muito preocupados com o hoje e o amanhã do setor no Brasil.  

Falando a esta coluna, Pimentel e Steinbruch disseram que as exportações das empresas têxteis e de confecções brasileiras se mantêm estáveis no acumulado e as de vestuário, isoladamente, crescem pouco acima de 4% a despeito do tarifaço dos EUA e das perdas nas vendas para a Argentina.  

Eles salientaram, porém, que chama a atenção “o fortíssimo crescimento das importações de vestuário, de mais de 48% no acumulado, ao mesmo tempo em que o mercado consumidor caiu 1,4% nos últimos 12 meses, com o que a produção do setor está em terreno negativo de mais de 4% nos últimos 12 meses”. Se for adicionado às importações convencionais o que vem por meio das plataformas digitais, “o quadro fica ainda mais dramático”. 

A produção industrial da cadeia têxtil e de vestuário, no Brasil, que cresceu 4,3% em 2024 e 2,6% em 2025, reverte essa trajetória neste ano de 2026: a projeção atualizada aponta para uma queda expressiva de 5,6% para o total da cadeia, maior do que a projetada anteriormente, que era de 4,8%, resultado de uma retração de 3,8% para a indústria têxtil e de queda de 7% para o vestuário.  

É nesse cenário que os industriais têxteis brasileiros se encontrarão hoje e amanhã, em Fortaleza, com seus colegas estrangeiros. Uma boa chance de surgirem novas ideias para o enfrentamento e a superação desses problemas.  

Esta coluna revelou, na semana passada, que a indústria têxtil do Ceará tem relevante importância na economia estadual. Aqui estão localizadas algumas das maiores e mais modernas empresas têxteis brasileiras, como a Vicunha, a Santana Textiles, a Têxtil Bezerra de Menezes e a Têxtil União, empregadoras intensivas de mão de obra. 

LIMOEIRO DO NORTE ABRE HOJE SUA EXPOAGRO  

Movimenta-se o setor da agropecuária, que, aliás, segue puxando a economia cearense: de hoje, 14, até sexta-feira, 16, realiza-se em Limoeiro do Norte a ExpoAgro Vale do Jaguaribe 2026, feira voltada para o fortalecimento do agronegócio, à difusão de conhecimento técnico e à geração de oportunidades para os produtores rurais da região jaguaribana.   

Além de palestras técnicas, feira de negócios e shows culturais, a programação do evento inclui visitas a grandes fazendas da agropecuária regional, incluindo as maiores fazendas produtoras de leite do Ceará, que se localizam exatamente na geografia de Limoeiro ro Norte. A expectativa da organização da ExpoAgro Vale do Jaguaribe é de compareçam à exposição 3 mil pessoas por dia.   

Na edição deste ano, a feira amplia a participação empresarial: no ano passado, ela registrou a presença de 37 empresas em sua rodada de negócios; neste ano, são 73, representando diferentes setores da atividade agropecuária.  

A ExpoAgro Vale do Jaguaribe 2026 é promovida pelo Sistema Faec/Senar-CE e pela Prefeitura de Limoeiro do Norte. O evento conta com patrocínio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, além do apoio do Sebrae-CE e do Banco do Nordeste (BNB).

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