A eleição e o agro cearense: a poeira começa a baixar

O que passou é passado e está no retrovisor da história. Agora é reunir-se novamente para construir o futuro

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Graças à união dos líderes do setor e a grandes investimentos em tecnologia o agro cearense alcançou alto padrão de qualidade
Foto: Honório Barbosa / SVM
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Esta coluna acompanha, desde o início deste século, a evolução da agropecuária do Ceará, que saiu do zero para o estágio em que hoje se encontra, dotado de musculatura corporativa e de força e prestígio políticos, além de haver alcançado o estado da arte em vários setores, como o da fruticultura, horticultura, carcinicultura, avicultura, pecuária leiteira, floricultura, plantas ornamentais, apicultura e sucos de frutas, para citar alguns. Isto foi possível graças, primeiro, à união do seu empresariado e, depois, pelos largos investimentos feitos na tecnologia e na inovação. Desde os primeiros anos da primeira década deste século até agora, o agro cearense foi um bom e acabado exemplo de como é possível sair do anonimato, da quase inexistência, para tornar-se importante protagonista do setor que, agora, lidera o crescimento da economia estadual.  

Nomes como os de Luiz Girão, Carlos Prado, Luiz Roberto Barcelos, Jorge Parente, João Teixeira, Edson Brok, Bessa Júnior, Dico Carneiro, Everardo Vasconcelos e Edmilson Lima estão inscritos no quadro de honra dos que, pioneiramente, ousaram investir nas várias atividades do agro, enfrentando e vencendo os desafios da natureza, que parecia hostil, e os da burocracia governamental, que ainda persistem, mas agora em grau reduzido.  

"Foi muito difícil no começo", lembra Bessa Júnior, um tilapicultor e, também, criador de vacas, testemunha das primeiras reuniões do que se transformou, nos tempos atuais, no chamado Grupo do Agro, cujas reuniões acontecem semanalmente, chova ou faça sol, em um restaurante da cidade. Tudo vinha bem – e muito bem -- até que no meio do grupo se intrometeu o vírus da política eleitoral, trazendo consigo os efeitos colaterais que, entre outras coisas, causam a divisão onde tudo estava em perfeita união. É incrível e rápida essa ação virótica, que invade a razão, acende a paixão desenfreada e causa a discórdia onde havia perfeita concórdia.  

Ora, se unido é difícil – muito difícil – a sobrevivência de qualquer grupo econômico, político, financeiro, social ou cultural, desunido ele corre o grave risco de ser derrotado ou, simplesmente, extinto.  

A eleição para o governo do Ceará mexeu, e mexeu profundamente, nessa paixão que alija as virtudes da razoabilidade e põe, em seu lugar, os vícios próprios do fanatismo inexplicável. Aconteceu aqui na área da indústria e, mais acentuadamente, na da agropecuária, onde se anotaram inoportunas, excessivas e agressivas opiniões postadas nas redes sociais. O resultado não poderia ser outro: a desavença, a desarmonia, o desentendimento. Foi um tsunami que balançou o setor da agropecuária cearense, e tudo por causa de uma disputa eleitoral, própria da democracia, cujo ápice é, exatamente, a alternância ou a manutenção do poder pelo voto livre do eleitor.   

Dito isto, esta coluna – testemunha ocular e auditiva da história do agro do Ceará – pode neste momento revelar que a tempestade passou, mas deixando, como toda revolta da natureza, a desordem que o passar dos dias cuidará de reordenar, processo que já começou a registrar-se graças à experiência de alguns, à humildade de outros e ao despojamento da maioria, cujo olhar se volta para o interesse coletivo do grupo, o que é uma extraordinária notícia menos de uma semana após o evento eleitoral que reelegeu o governador Elmano de Freitas. 

É necessário dizer que o reeleito é o mesmo governador que, enfrentando seus aliados ideológicos, prometeu e fez aprovar, no Legislativo, a lei que permite a pulverização aérea das lavouras do Ceará, proibida na gestão anterior do governador Camilo Santana. A cadeia produtiva do leite está isenta do ICMS, e esta foi outra promessa cumprida pelo governador Elmano de Freitas, assim como a redução ao mínimo das exigências da burocracia do licenciamento ambiental para a carcinicultura. 

A eleição estadual está o retrovisor da história, e a atenção de quem produz e trabalha no Ceará deve voltar-se agora para o pleito presidencial, que não desperta a mesma paixão do pleito estadual, cujo interesse mobiliza e divide famílias e mexe nas amizades, algo que acontece há mais de 100 anos. Olhemos, então, para a frente. O que passou é passado. 

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