Congresso Têxtil Mundial: o Ceará abre-se aos estrangeiros
A Fiec e a SDE apresentam as virtudes cearenses e Ricardo Steinbruch fala das tensões geopolíticas
Ao falarem hoje, quarta-feira, 14, no Centro de Eventos, na cerimônia de abertura do Congresso Internacional 2026 da Indústria Têxtil, o presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, e o secretário de Desenvolvimento Econômico (SDE) do governo estadual, Fábio Feijó, repetiram quase o mesmo discurso ouvido pelos 500 empresários brasileiros e estrangeiros, boa parte deles oriundos da Ásia – japoneses, chineses, coreanos, tailandeses, vietnamitas, malaios e cambojanos, entre eles, além de europeus, norte-americanos e sul-americanos:
“A cidade que os recebe é a capital de um estado cuja economia cresce mais do que a do país, é sede de um importante polo têxtil e de confecções, com uma moderna infraestrutura portuária e aeroportuária, está geograficamente equidistante da Costa Leste dos EUA e da Europa, dispõe da mais dinâmica ZPE do mundo, segundo o Financial Times, e de um excelente ambiente de negócios, além de ser a Meca do kitesurf” – disseram, com outras palavras, Cavalcante e Feijó.
O congresso, organizado sob inspiração europeia, começou exatamente no horário, às 9 horas, com lotação máxima do auditório, ou seja, com a presença do meio milhar de inscritos. O espaço ocupado pelo evento é o mínimo: além do auditório, uma área destinada ao coffee-break e outro ao restaurante, no qual são servidos os almoços. Não há estandes, uma vez que o objetivo do congresso é eminentemente técnico e voltado aos negócios.
Ao fazer o discurso de boas-vindas aos participantes, o empresário Riardo Steinbruch, presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional da Indústria Têxtil (Abit), disse:
“Este Congresso acontece em um momento tão oportuno. Reunimos representantes de diferentes países e mercados, empresários, especialistas, economistas, pesquisadores e lideranças setoriais. Cada um traz sua experiência, suas perguntas e sua contribuição. Essa diversidade é uma das grandes riquezas do encontro. Podemos ter perspectivas diferentes e, ainda assim, construir soluções em conjunto. Precisamos ouvir uns aos outros, compreender as distintas realidades e trabalhar em prol de objetivos comuns.”
Steinbruch acrescentou:
“Vivemos um período de tensões geopolíticas, novas barreiras comerciais e disputas entre grandes economias. As cadeias globais de produção estão sendo reorganizadas, enquanto novas políticas industriais e decisões regulatórias alteram os fluxos de comércio e de investimentos. Nesse ambiente, o diálogo é fundamental. Ele ajuda a administrar diferenças, reduzir incertezas e criar condições para uma cooperação que produza resultados. A indústria têxtil e de confecção tem uma dimensão profundamente internacional. Matérias-primas, tecnologias, produtos e investimentos atravessam fronteiras. Nossos clientes estão em todos os continentes. A Abit defende um comércio internacional aberto, baseado em regras equilibradas e transparentes. A integração dos mercados precisa caminhar com condições justas de concorrência, responsabilidades equivalentes e respeito aos compromissos tributários, trabalhistas e ambientais. Essa previsibilidade é essencial para quem investe, produz e gera empregos. A cooperação internacional se fortalece quando as empresas encontram condições para competir com inovação, produtividade e qualidade.”
O presidente do Conselho de Administração da Abit disse mais:
“No Brasil, precisamos avançar na redução dos custos que comprometem a competitividade, na melhoria do ambiente de negócios, na qualificação profissional e no estímulo à inovação. Toda ajuda externa é bem-vinda. Queremos uma indústria cada vez mais preparada para atender ao mercado brasileiro e ampliar sua presença no mercado mundial. Nos próximos dois dias, teremos uma programação que reúne temas decisivos para o nosso futuro: a nova geografia da indústria, o futuro das fibras, os modelos produtivos, a sustentabilidade, a transformação digital, o comportamento do consumidor, o comércio e a regulamentação. São assuntos que se conectam.”
Por sua vez, Ricardo Cavalcante foi na mesma toada de Steinbruch. O presidente da Fiec disse:
“A geografia da produção mundial está sendo redesenhada. As cadeias globais de suprimentos passam por uma reorganização. Países procuram fortalecer suas capacidades industriais. Empresas reavaliam investimentos, buscam novos parceiros e procuram reduzir sua exposição às incertezas internacionais. Nesse ambiente, a indústria têxtil e de confecções, pela amplitude de suas conexões com o mercado mundial, está entre os setores mais diretamente envolvidos nessas transformações. E há uma questão que precisamos compreender: nesse novo cenário, a competitividade industrial não será definida apenas por quem consegue produzir mais barato, mas por quem reúne as melhores condições para inovar, produzir com eficiência e responder às exigências de um mercado em permanente mudança.
E avançou:
“O Brasil possui uma cadeia têxtil diversificada, capacidade empresarial, recursos naturais e um mercado consumidor expressivo. Entretanto, precisamos enfrentar desafios que comprometem nossa competitividade, como os elevados custos de produção, as dificuldades de financiamento, os gargalos de infraestrutura e as condições desiguais de concorrência internacional. Defender a indústria brasileira não significa fechar os olhos para o mundo. Ao contrário. Significa preparar nossas empresas para disputar mercados, ampliar exportações, incorporar tecnologias e participar das cadeias globais de valor em condições mais equilibradas. Para isso, precisamos de políticas industriais consistentes, segurança jurídica e previsibilidade para investimentos que, pela própria natureza, exigem planejamento de longo prazo. O futuro da indústria não pode ficar limitado aos ciclos políticos. Precisa ser tratado como uma prioridade permanente de desenvolvimento nacional. A inteligência artificial, a automação, os novos materiais e a economia circular já estão modificando profundamente a indústria têxtil. Mas nenhuma dessas transformações terá sentido se não contribuir também para gerar empregos de qualidade, ampliar oportunidades e melhorar a vida das pessoas."
Finalizando os discursos, o secretário Fábio Feijó, falando de improviso, saudou os congressistas com um “sejam bem-vindos", mas logo adiantando uma informação: “O governador do Estado que os recebe, Emano de Freitas, foi reeleito para mais um mandato de quatro anos”.
Em seguida, Feijó passou a falar sobre as virtudes da economia cearense, citando a importância do Polo Industrial Têxtil e os programas que sua pasta desenvolve, com a Fiec e a Federação da Agricultura (Faec) para devolver o Ceará a sua antiga posição de um dos maiores produtores de algodão do país.
O secretário Fábio Feijó aludiu ao que considerou um excelente ambiente de negócios que o Ceará e seu governo oferecem a quem quer investir aqui, tudo com segurança jurídica. Disse que um quarto de toda a conectividade mundial passa por Fortaleza, onde se encontram 16 cabos submarinos que unem o Brasil e o mundo.
No final de sua fala, mas usando fluentemente a língua inglesa, Fábio Feijó convidou os empresários presentes a conhecerem o cardápio de incentivos fiscais e as vantagens locacionais e geográficas de que dispõem o Ceará e seu governo para quem quiser investir aqui. Foi aplaudido.
O Congresso Internacional Brasil 2026 da Abit prosseguirá até amanhã à noite.
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