Pecuária usa tecnologia para fazer uma revolução no Ceará

Grandes empresas ajudam a melhorar a qualidade do rebanho leiteiro do pequeno produtor

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Na moderna pecuária leiteira do Ceará, a ordenha mecânica (foto) já se torou uma rotina nas grandes e pequenos fazendas do estado
Foto: Davi Rocha
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Quase à moda mineira, isto é, discreta e silenciosamente, está em processo avançado uma revolução que une, na pecuária do Ceará, o investimento privado na melhor tecnologia da biogenética ao incontido desejo do pequeno pecuarista de melhorar a qualidade do seu rebanho bovino leiteiro.

Neste momento, por exemplo, grandes fazendas cearenses da agropecuária, localizadas na Chapada do Apodi, na geografia de Limoeiro do Norte, uniram-se ao esforço da Faec, do Sebrae-CE e do governo do Estado no sentido de mais do que duplicar esse rebanho.

O que pretende esse projeto tripartite é qualificar o plantel e seu produto – o leite – tirando partido de boas experiências, como a da Fazenda Flor da Serra, de Luiz Girão, que deu o pontapé inicial nesse sentido. 

Como o melhor do Ceará é o cearense, surgiu e prospera no ritmo do frevo a RCS Agronegócios, dona da Fazenda Vale do Castanhão, em Limoeiro do Norte, onde as práticas agrícolas e pecuárias são do mesmo padrão do Sul e Sudeste do Brasil e da Europa. Iniciais de Rafael Carneiro da Silveira, um apaixonado por vacas e bois, a RCS Agronegócios juntou-se, também, àquele projeto e está agora, ela mesmo, produzindo, pela Fertilização in Vitro (FIV), bezerras e bezerros de alta linhagem que são distribuídos aos pequenos criadores de bois de corte e de vacas leiteiras. 

Rafael Carneiro, neto do saudoso e pioneiro Dico Carneiro, que fundou a portentosa Cialne, herdou do avô todas as virtudes. Dico o convidou para ajudá-lo a tocar o negócio; obediente, o neto deixou os EUA, onde concluiu o curso superior, e voltou ao Ceará, dedicando-se à pecuária leiteira, um ramo da Cialne "que já tinha naquela época e tem hoje muito futuro", como ele disse segunda-feira, 26, ao grupo de 32 agropecuaristas que o ouviram falar, com visível entusiasmo juvenil, sobre o hoje e o amanhã da sua grande, bela e bem cuidada fazenda, cujo rebanho leiteiro é de 1 mil vacas da raça Girolando, ordenhadas mecanicamente duas vezes ao dia.  

Rafael Carneiro informou que seu rebanhou adaptou-se em apenas três dias às novas e modernas ordenhas rotatórias, cada uma das quais com 48 posições instaladas em forma de carrossel (cada carrossel custou R$ 3 milhões, afora outros R$ 3 milhões investidos na construção civil); o tempo normal de adaptação é de 10 dias, o que revela, primeiro, o correto manejo do rebanho pelo conjunto de colaboradores da fazenda e, segundo, a boa gestão, que está comprometida com os princípios ESG da ONU (social, ambiental e governança). 

A RCS adquiriu no fim de 2014, e a modernizou em pouco tempo, uma unidade industrial de lacticínios – a Sabor & Vida – que pertencia ao empresário Assis Vieira. Estrategicamente acertada, essa aquisição marcou a entrada da empresa na área de lácteos, integrando, verticalizando e otimizando os resultados ao portfólio da Cialne. A RCS e a Cialne produzem, juntas, cerca de 30 mil litros diários de leite bovino, parte dos quais vendidos para a Alvoar (ex-Betânia), cuja gigantesca fábrica se localiza em Morada Nova. 

Rafael Carneiro disse que sua empresa opera com a ajuda da Inteligência Artificial, para o que o seu núcleo de Tecnologia dispõe de todos os recursos para aprimorar suas operações, incluindo, principalmente, a redução dos custos.   

Tom Prado, CEO da Itaueira Agropecuária, presente à reunião dos agropecuaristas com Rafael Carneiro, fez questão de destacar o padrão tecnológico que hoje se instalou na pecuária cearense e, ainda, a preocupação dos líderes do setor de transmitirem aos pequenos produtores as boas práticas que têm feito do Ceará uma referência, pois, mesmo nas épocas de estio, como o segundo semestre de cada ano, a produção leiteira não se reduz, sinal revelador de quanto são eficientes os criadores cearenses de gado leiteiro. 

Rafael Carneiro, um assíduo frequentador das reuniões dos agropecuaristas, não fez qualquer referência ao momento político do país, mas ressaltou que aposta suas fichas no desenvolvimento da economia brasileira e, particularmente, na do Ceará, cuja agricultura e pecuária estão liderando há alguns anos o crescimento econômico do estado.  

"Temos investido aqui, temos crescido aqui, é aqui que estamos ampliando nossos negócios e é aqui que pretendemos crescer ainda mais, criando empregos e incrementando a renda no interior do Ceará", concluiu ele. 

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