A região do Cariri é a nova fronteira agrícola do Ceará
É lá que o agro cresce em alta velocidade, atraindo produtores de outros estados. A ExpoCariri é a expressão desse avanço.
Graças a Deus, passou a eleição. Agora, segue a vida real de quem produz e trabalha. Os que, no Ceará, o fazem na agropecuária têm agora sua atenção voltada para o grande evento que, nesta semana, de quinta-feira, 29, a sábado, 31, se realizará em Barbalha, no Sul do estado: a 3ª edição da ExpoCariri, que, além da fama, já se tornou a maior feira e exposição da cadeia produtiva da agricultura e da pecuária daquela próspera região cearense.
É preciso entender o que, de três anos para cá, se passa, na velocidade do frevo, no chão caririense que é rico de tudo, a começar pelo espírito empreendedor de sua gente, cujos líderes da produção rural descobriram as virtudes da Chapada do Cariri, em cujo solo prosperam, há cinco anos, culturas antes inimagináveis. Entre elas a da soja.
Ao Cariri já chegaram grandes produtores do Mato Grosso, Piauí e Maranhão, e outros estão a chegar atraídos pela chance de produzir soja, milho, algodão e outras culturas. A 900 metros de altura, com boa pluviometria e sol o ano inteiro, a chapada caririense pode tornar-se, no curto prazo, um grande polo agrícola, e nesse rumo está a caminhar.
No lado cearense dessa área abençoada por Deus, há mais de 500 mil hectares disponíveis para a implementação de projetos da agricultura de sequeiro, entre os quais o da cotonicultura, para o que, aliás, os sojicultores já instalados lá preparam o solo no qual, dentro de dois anos, serão plantadas as sementes de algodão, tudo planejado por quem desenvolve as boas práticas agrícolas.
A ideia conjunta da Federação da Agricultura e Pecuária (Faec), da Federação das Indústrias (Fiec), do Sebrae-CE e do governo do Ceará é de, começando pelo Cariri, recolocar o estado entre os principais produtores de algodão do país, posição que ocupou nos anos 60, 70 e 80, década em que essa cultura foi atacada pela praga do bicudo, e desapareceu, ressurgindo agora pelo investimento que fazem alguns empresários agroindustriais, entre os quais Raimundo Delfino, na Chapada do Apodi, e Airton Carneiro, no Sertão Central.
A ExpoCariri torna-se, assim, o evento propício para que os líderes do agro cearense se reúnam, mais uma vez, para mostrar na feira seus produtos e serviços, para fazer bons negócios e para trocar opiniões e informações acerca do setor que mais cresce na economia estadual, liderando-a nos últimos anos, e isto é produto do trabalho e do investimento de todos.
Essa exposição, vale repetir, tem apenas três anos de vida, mas ganhou tão grande importância que as 76 empresas que estiveram em sua primeira edição e as 176 que ocuparam estandes na edição do ano passado serão, neste ano, 284. Nessa progressão, a ExpoCariri de 2027 poderá chegar aos 400 estandes.
Há um detalhe que a diferencia dos demais eventos que compõem o Calendário Anual de Exposições do Agro elaborado pela Faec: a vitrine viva da agricultura. A grande área da Estação Experimental da Embrapa Algodão, em Barbalha, onde a ExpoCariri se realiza, é, ao longo do ano, o espaço onde se realizam as pesquisas de campo, que envolvem estudos de melhoria de variadas culturas, incluindo a do girassol. Nesse espaço, grandes empresas de tecnologia associaram-se à Embrapa e desenvolvem nele suas experiências.
Nertan Nicodemos, coordenador da ExpoCariri e conhecedor de todo o potencial agrícola da região caririense, principalmente de sua chapada, não tem dúvida de que essa feira, para além de ser uma exposição agropastoril, é, também, o espaço para o debate em torno do que ainda deve ser feito para o progresso econômico e social da região Sul do Ceará.
"O Cariri tem um solo fértil, um povo trabalhador, inteligente e pronto para enfrentar novos desafios, dispõe de empresários que, de modo inovador, estão a empreender na agricultura e, de modo destacado, na pecuária de leite e de corte; a região conta, ainda, com centros acadêmicos que transmitem conhecimento à juventude, formando, qualificando e preparando a mão de obra para o cada vez mais exigente mercado de trabalho. Enfim, o Cariri é, na minha modesta opinião, a nova fronteira agrícola do Ceará e do Nordeste, e a ExpoCariri é a sala de visita deste seu novo tempo", disse Nertan Nicodemos à coluna.
Ele prevê que, de quinta-feira a sábado desta semana cerca de 100 mil pessoas visitarão a ExpoCariri e acompanharão sua extensa programação técnica, que terá, entre outras coisas, mais um Encontro das Mulheres do Agro.
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