Ferrovia Transnordestina: há carga, ainda não há frete

Para agricultores e pecuaristas do Ceará, o frete ferroviário deverá ser pelo menos 30% inferior ao do rodoviário

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: A Transnordestina Logística S/A ainda faz cálculos para estabelecer o preço do frete dos seus trens, aguardados com expectativa
Foto: Kid Júnior / SVM
Um oferecimento de:

Estão o país e seu eleitorado sob fortes emoções e tensões, produto natural do evento de amanhã, domingo, 25 – a realização do segundo turno da eleição presidencial. Divididos ao meio, do ponto de vista ideológico, o Brasil e sua gente que produz e trabalha aguardam, com uma ansiedade nunca vista antes, a hora do início da contagem dos votos.

Mas, neste sábado de sol quente no Nordeste e ameaça de temporais no Sul e Sudeste, há espaço para o debate em torno de temas que preocupam e atraem a atenção dos empresários do agro, da indústria e do comércio do Ceará, entre os quais se sobressai, de modo protagonista, a infraestrutura regional de transporte.  

Pela voz do seu diretor de Infraestrutura, Tufi Daher, o Grupo CSN, controlador da Nordestina Logística S/A (TLSA), dona da concessão para a construção e operação da Ferrovia Transnordestina – maior empreendimento privado da área em execução no país, absorvendo recursos de R$ 15 bilhões, boa parte dos quais oriundos de fundos públicos voltados para o desenvolvimento econômico do Nordeste – sepultou a desconfiança dos que duvidavam da viabilidade comercial dessa grande estrada de ferro.

A TLSA, disse Daher, já celebrou contratos com empresas de vários estados do Nordeste para o transporte de suas cargas, a partir de 2028, poucos meses depois da conclusão da obra física (linha permanente, com viadutos, túneis, pontes, trilhos e dormentes), prevista para dezembro do próximo ano de 2027. 

A Ferrovia Transnordestina tem, sob o olhar crítico dos economistas, capacidade de dividir a economia desta região em antes e depois dela, pois se trata de um projeto que utilizará, como já vem utilizando, trens com locomotivas e vagões de moderna geração, que circularão movidos (por muitos anos ainda) a óleo diesel e a uma velocidade média de 80 quilômetros, bem superior aos 30 quilômetros das antigas composições da Rede Ferroviária Federal, a Reffsa, lembram-se dela?

Será um passo gigantesco que dará a iniciativa privada (com a ajuda de recursos públicos) para ajudar a incrementar o PIB do Nordeste, que é de 13,8% do PIB nacional (o do Ceará estacionou na marca de 2,2% e não consegue sair dela, apesar do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, com sua usina siderúrgica, seu moderno porto e seu conjunto de indústrias). 

Há, contudo, uma questão que persiste: qual será o frete que cobrará a TLSA para transportar soja, milho, sorgo, gesso, mármores, granitos, frutas, feno e outros itens produzidos no Sudeste do Maranhão e do Piauí, no Norte da Bahia, no Oeste de Pernambuco e em toda a extensão Norte-Sul do Ceará? A empresa estima que será por volta de 20% menor do que o frete rodoviário; os empresários cearenses da indústria e do agro entendem que essa redução terá de ser, no mínimo, de 30%. 

Carlos Rubens Alencar, presidente do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos do Ceará (Simagran-CE), filiado à Fiec, pede espaço para expor o que pensa a respeito do tema: 

– Minha preocupação são os valores do transporte ferroviário da carga, ponto a ponto. Para o retorno de carga (a preocupação do agro é de que a ferrovia não teria carga) a Transnordestina será excelente. Nós temos muita dificuldade para transportar mercadorias de volta. A transnordestina será, ainda, excelente para os produtores de calcário dolomítico do Ceará (haverá festa na mineração de Quixeramobim), do qual se produzem os corretivos de solo, usados pelos agricultores do Matopiba (Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Bahia, além do Maranhão), que são hoje grandes produtores de grãos e que necessitam de calagem nos seus solos. -- (Calagem, de acordo com o Google, é a aplicação de calcário ou outros materiais alcalinos ao solo para corrigir sua acidez, neutralizar o alumínio tóxico e fornecer nutrientes essenciais). 

Alencar acrescenta: 

– Na cabotagem interna, quando se junta o valor ponto a ponto, o preço do frete não fica atrativo – opinião que coincide com a dos empresários da pecuária e da avicultura do Ceará que já se utilizaram dos trens da TLSA para trazer produtos do Sudeste do Piauí e até do Mato Grosso, como a soja que compõe a ração que alimenta seus bois, vacas, frangos e galinhas. Parte deles, porém, deixou o trem e voltou a preferir o caminhão (que entrega na porta do curral e da granja), exatamente porque consideraram desestimulante o custo-benefício do modal ferroviário. 

Mas a direção comercial da TLSA já revelou, por meio desta coluna, que seu frete está, ainda, em estudos. A empresa já faz operações comerciais nos trechos comissionados (do Sul do Piauí até Quixadá), mas elas ainda não permitem estabelecer o frete definitivo, algo que só será possível a partir de 2028.  

Parece existir luz no fim do túnel da Transnordestina. 

REVISTA EXAME ELOGIA A FIEC PELA BOA INDÚSTRIA DO CEARÁ  

Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), recebeu carta de Simone Souto, diretora da Midiasolution, empresa parceira da revista Exame no CE, Pi e MA, destacando a boa performance da indústria cearense na 53ª edição da Exame Maiores e Melhores.  

Na carta, a executiva diz que, "no ranking das 1.000 maiores empresas, das 20 cearenses que dele participam, 9 estão entre as 200 primeiras colocadas; a Bahia possui uma com esse status entre as 13 listadas, e Pernambuco, que possui 8 empresas citadas, nenhuma delas ocupa posição entre as duas centenas iniciais".  

A carta acrescenta:  

"A contribuição do Ceará, portanto, é expressiva, não apenas no ranking geral, mas na ordem de grandeza por receita líquida". 

A indústria cearense, que em alguns setores é líder nacional (como no mercado de massas, biscoitos e granolas com M. Dias Branco e no de fabricação de fogões com a Esmaltec do Grupo Edson Queiroz), segue crescendo e inovando com o uso da tecnologia de ponta.  

Tudo isto sob a forte liderança de Ricardo Cavalcante. 

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