A eleição, a reeleição e a adaptação do empresariado cearense
Não será difícil, pois o Palácio da Abolição, a Faec e a Fiec já são parceiros em vários projetos
Há um novo cenário político bem à vista dos agentes econômicos, ao qual devem adaptar-se, algo que, tradicionalmente, tem acontecido sem maiores dificuldades. Nas regiões Norte e Nordeste, essa adaptação, porém, exigirá, digamos assim, engenho e arte.
Aqui no Ceará – onde o PT fez barba, cabelo e bigode – haverá quase nenhuma mudança no comportamento das lideranças empresariais dos setores industriais e agropecuários: a indústria, por meio da Fiec e de seu presidente Ricardo Cavalcante, e a agropecuária, pela voz da Faec e de seu líder Amílcar Silveira, já têm uma sólida ponte que as liga ao Palácio da Abolição, onde estará por mais quatro anos o governador Elmano de Freitas, que – como revelou a esta coluna uma fonte do governo – guarda algumas queixas, mas de baixa relevância, incapaz de tisnar o seu bom relacionamento com o setor produtivo, e vice-versa.
Mas há um fato novo e importante: o senador Camilo Santana, que assumiu o comando da campanha de Lula no segundo turno da eleição presidencial, é cotado para ocupar a Casa Civil do Palácio do Planalto, principal posto de comando no organograma do Governo Federal, abaixo apenas do presidente. Sua relação com o agro, no tempo em que foi governador, marcou-se pela dificuldade. Foi na sua gestão, e sob sua concordância, que o Poder Legislativo aprovou projeto de lei proibindo a pulverização aérea nas lavouras cearenses.
O governador Elmano de Freitas, que o sucedeu, cumpriu a promessa feita à comunidade do agro de permitir essa pulverização com o uso da tecnologia dos drones, para o que abonou projeto de lei aprovado pelo Legislativo. Ele também cumpriu duas outras promessas: isentou de ICMS a cadeia do leite e reduziu ao mínimo as exigências da burocracia para o licenciamento ambiental dos projetos da carcinicultura (criação de camarão).
Essas três atitudes do governador provocaram o posicionamento do presidente da Faec, que, corajosamente, tomou posição de apoio público à reeleição de Elmano de Freitas, mas deixando claro que não votaria pela reeleição do presidente Lula, pois, declarando-se um homem de direita, proclamou apoio a Ronaldo Caiado no primeiro turno.
Vem aí o mês de dezembro, trazendo com ele o já tradicional "almoço com o governador", promovido pela Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), evento que reúne empresários do agro, da indústria e do comércio e, também, lideranças da política. Neste ano, esse almoço cresce de importância, uma vez que o Ceará e sua nova liderança política se tornarão protagonistas do quarto governo do presidente Lula. Não há dúvida de que Camilo Santana terá – como sempre teve, aliás – lugar de destaque na mesa principal do evento.
O que significa, para o empresariado cearense do agro e da indústria, adaptar-se ao novo cenário desenhado pelas eleições deste mês de outubro? Significa assumir, logo, uma atitude proativa em relação ao Governo Federal; em relação ao estadual, espera-se a ampliação da boa relação hoje existente. Não será difícil: o Palácio da Abolição é apoiador dos principais projetos em execução pela Faec e, também, pela Fiec (por exemplo, a PecBrasil e a Feira da Indústria). O plano de revitalização da cotonicultura é outro exemplo da boa parceria do governo estadual com o agro. A ExpoCariri, que se realizará de quinta-feira a sábado desta semana em Barbalha, é outro evento apoiado pelo Palácio da Abolição.
Então, fica claro que o setor produtivo não terá dificuldade para adaptar-se à nova cena política estadual: bastará 1) o uso do bom senso, 2) abaixar a poeira levantada pelo resultado das urnas, 3) entender que é a conversa o melhor e mais curto caminho para a boa relação dos setores público e privado e, finalmente, 3) compreender que é por meio da política (da boa política) que se criam, ou deixam de ser criadas, as melhores soluções para todos os problemas.
O senhor da razão é o tempo. Neste momento, o correto e o aconselhável é deixá-lo passar. Quando baixarem as águas da tempestade eleitoral que, domingo passado, inundou e frustrou os sonhos da direita brasileira, aí se verão a nascer as sementes das oportunidades. E mais coisas se verão, como as novas lideranças políticas do país, juvenis e maduras, que saíram, também, das urnas deste 2026.
Não será tarefa fácil tirar o país do abismo em que se encontra hoje. Para a superação da presente e grave crise econômica e financeira, exigir-se-á o sacrifício de todos. A questão é saber se todos, ou só alguns, serão capazes de emprestar esse sacrifício.
UNIFOR É 5 ESTRELAS NO GUIA DA FACULDADE 2026
Quatro cursos da Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, receberam a avaliação máxima de cinco estrelas no Guia da Faculdade 2026, do jornal O Estado de S. Paulo.
Foram eles: Administração (EaD), Ciências Contábeis, Gestão Comercial (Ead) e Logística (EaD).
Com esse resultado, a Unifor consolida-SE, mais uma vez, como a universidade particular do Norte e Nordeste com o maior número de cursos classificados com a nota máxima.
Veja também