Embaixadores estrangeiros debatem na CNI sobre o futuro do Brasil
A Confederação Nacional da Indústria promoveu em Brasília a sua "diplomacia empresarial"
Na última quarta-feira, 4, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu em sua sede, em Brasília, uma reunião destinada ao desenvolvimento da denominada "diplomacia empresarial". Dela participaram diretores setoriais da entidade máxima dos industriais brasileiros, incluindo presidentes de grandes associações que reúnem produtores dos diferentes ramos desse setor da economia brasileira. Com eles, estiveram os embaixadores de países dos vários continentes com os quais o Brasil mantém forte e estreita relação comercial. Os dois lados da reunião tentaram desenhar o presente e o futuro da economia brasileira. Esta coluna, que contou com a ajuda de uma fonte que participou do encontro, pode dar detalhes do que foi debatido.
A reunião teve o objetivo de "fortalecer a posição de integração da indústria brasileira com o mundo, um desafio demasiadamente grande pelo Custo Brasil e por tudo mais que conhecemos", disse a fonte. Em um momento de grave desafio como o de agora, "não podemos ficar parados", e convidar os embaixadores dos principais países de economia organizada foi uma sábia e oportuna iniciativa do presidente da CNI, Ricardo Alban, como salientou a mesma fonte. Industriais e diplomatas não esconderam sua ansiedade pela opinião de cada um, incluindo, também e principalmente, as relativas às eleições nos Estados Unidos, que se processavam naquele momento.
Houve uma completa convergência no sentido de que a indústria brasileira quer ampliar suas vendas para os países que estavam ali representados, e estes com a mesma finalidade. A moderna diplomacia usa hoje quase todo o seu tempo à promoção de transações comerciais, e neste ponto o Brasil conta no Itamarati com um time de craques que sabem vender o que o país produz –dos aviões da Embraer aos grãos de soja e milho produzidos em Mato Grosso, na Bahia ou no Piauí. A diplomacia é, pois, uma janela de oportunidades para bons negócios.
Após a reunião da "diplomacia empresarial", os líderes industriais mantiveram-se juntos para uma conversa sobre o próximo governo Lula 4.
A unanimidade dos presentes entende que o que há hoje, a respeito da composição do ministério do futuro governo, "é pura especulação", que se estenderá até o retorno do presidente Lula de sua viagem à Turquia e às Filipinas, que acontecerá entre os próximos dias 9 e 15.
Na cidade turca de Antália, Lula e sua comitiva, para a qual foram convidados os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, participarão da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que acontecerá nos dias 11 e 12; em seguida, Lula e seu séquito seguirão para Manila, capital filipina, onde fará visita de Estado.
A fonte desta coluna manifestou nos seguintes termos a sua opinião:
– Só depois do retorno do presidente das Filipinas é que teremos algumas pistas sobre o futuro. O importante é ver o que o líder vai definir como proposta de trabalho. Pode nomear o ministro (da Fazenda) que for, se a liderança não estiver convencida da trajetória da agenda, acabará boicotando os esforços, por melhor que eles sejam.
Em seguida, acrescentou:
– Por enquanto, o que há é muita indefinição. Acho que teremos um 2027 extremamente difícil. Pela primeira vez, nosso setor está fazendo uma previsão para o ano seguinte com queda da atividade, não uma queda igual a deste ano de 2026, que foi grave, mas um recuo com base nas informações que temos até agora, ou seja, uma projeção de PIB muito fraco, que não passará de 1%, segundo as análises das principais casas financeiras. Alguns setores da indústria continuarão sendo pressionados pelas importações e pelos custos que recaem sobre eles. O que temos de fazer hoje é empurrar o início efetivo da vigência da Reforma Tributária para 2028 e, ainda, negociar com ministério do Trabalho e com o Congresso Nacional em relação à parte trabalhista que está muito difícil de ser equacionada nos prazos que foram dados – concluiu a fonte.
No próximo domingo, 8, o reeleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um pronunciamento à Nação, por meio do qual tentará acalmar o mercado, que permanece nervoso diante das indefinições sobre o próximo ministro da Fazenda, sobre a política fiscal e que tipo de ajuste será feito para corrigir as desajustadas contas públicas.
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