Cultivo protegido: empresário decidiu investir em Ubajara

Edilberto Rodrigues, com consultoria holandesa, produzirá tomates e outras hortaliças na Ibiapaba

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Na região da Ibiapaba, inclusive em Ubajara, já existe e prospera o cultivo protegido de hortaliças sob estufas, como o da foto.
Foto: Divulgação
Um oferecimento de:

Será implantado em Ubajara, no coração da Chapada da Ibiapaba, o projeto do empresário cearense Edilberto Rodrigues, que produzirá lá, no início, tomates de várias espécies e, depois, outras hortaliças. Tudo será feito segundo a melhor tecnologia holandesa do cultivo sob estufas, o chamado cultivo protegido, que avança na velocidade do frevo naquela região cearense.  

Rodrigues, em cujas artérias circula o sangue com o DNA do empreendedorismo, é hoje um homem dedicado à sua Athos Service, com sede em Piquet Carneiro, que atua na prestação de serviços para grandes empresas construtoras nas áreas de infraestrutura hídrica (canais, estações de captação d'água, adutoras, estações de bombeamento e de tratamento de água) e de energia (montagem de subestações para indústrias e plantas de energia solar e eólica). Nos últimos dois anos, ele descobriu na Holanda – onde tem amigos empresários e para onde viaja periodicamente -- as melhores virtudes da agricultura, principalmente as do ramo da horticultura desenvolvida sob estufas, uma tecnologia dominada mundialmente, e sem concorrentes, pela academia dos Países Baixos.  

Para a viabilização do seu projeto ibiapabano, Edilberto Rodrigues associou-se ao pesquisador Ferry Johan, que deixou sua empresa em Amsterdã, capital da Holanda, e passou cinco dias aqui, visitando áreas em diferentes municípios da Ibiapaba, cujo solo e cujo clima o agradaram bastante. Com o assentimento do seu sócio cearense, Johan considerou Ubajara o local ideal para a implementação do seu projeto de cultivo protegido, que será executado em duas fases: a primeira, que durará seis meses, será um projeto piloto de apenas um hectare em cuja área se desenvolverão pesquisas com diferentes sementes importadas de tomate e pimentão. A segunda fase será a da definição do projeto definitivo, de sua área total, do valor do investimento a ser feito e dos equipamentos que serão utilizados na instalação das estufas.  

Hoje, na Ibiapaba, o cultivo protegido, que já se estende por 600 hectares de estufas, tem produtividade equivalente a 70 toneladas de tomate por hectare/ano; na Holanda, essa mesma área produz 800 toneladas de tomate por hectare por ano.  

A produtividade holandesa é altíssima, mas custa muito caro, principalmente por causa do elevado consumo de energia elétrica e, ainda, pelo uso de vidros para cobrir as estufas e de estrutura metálica para sustentá-las; produtividade ibiapabana, que custa quase nada em relação à holandesa, pode ser multiplicada por dois ou três, no mínimo, graças à tecnologia e à utilização de materiais mais simples, porém mais eficientes do que os atuais.  

As pesquisas, que serão desenvolvidas pela CN Agrotech, empresa da qual são sócios Edilberto Rodrigues e Ferry Johan, envolverão, também, estudos sobre esses materiais. Na Ibiapaba, hoje, o cultivo protegido usa estufas cobertas de plástico (a maioria) e de lona, mas será possível identificar outro material mais ou menos barato, porém mais eficiente, e esta possibilidade também fará parte da pesquisa. 

– As pesquisas que faremos terão o objetivo de buscar a adequação genética de uma espécie de tomate que seja a mais produtiva possível para as nossas condições climáticas. Portanto, a meta inicial será de 500 toneladas por hectare por ciclo (o ciclo do tomate varia de 90 a 120 dias, desde a semeadura até o início e desenvolvimento da colheita, como explica o Google). Lógico que a evolução do nosso projeto, com as etapas seguintes, será a de aumentar mais ainda essa produtividade – como disse à coluna Edilberto Rodrigues. 

Nos próximos dias, estará concluído o processo de abertura de uma joint venture que terá como sócias a Nobridge, de Ferry Johan, e a CN Agrotech, de Edilberto Rodrigues. Essa nova empresa assumirá toda a gestão da pesquisa e, também, a evolução das demais etapas do projeto. Johan e Rodrigues estimam que os pesquisadores holandeses começarão as pesquisas em fevereiro do próximo ano de 2027. Os dois não escondem seu otimismo quanto ao êxito do que será pesquisado na primeira fase do projeto, e muito menos quanto às fases subsequentes. 

Os pesquisadores que estarão em Ubajara já podem ser identificados: Thijs Roelofs, Jos van Capelleveen e o própiro Ferry Johan. 

– Este é um projeto que tem 100% de chance de sucesso: a tecnologia a ser aplicada nele é a melhor do mundo, as culturas serão as mais adequadas para o solo da Ibiapaba, quem desenvolverá o projeto são especialistas com experiência mundial e quem o tocará serão os cearenses, o melhor produto do Ceará – concluiu Edilberto Rodrigues.  

MULHERES DE VALOR: RITA GRANGEIRO É UMA DELAS 

Será hoje, quinta-feira, 5, no auditório da Superintendência do BNB no Ceará, na Avenida Santos Dumont, a solenidade de entrega do Troféu Mulher Empreendedora Bárbara de Alencar 2026. Serão agraciadas Albanisa Sarasate, que receberá homenagem póstuma, e a empresária Rita Grangeiro, sócia e diretora da Fazenda Grangeiro, que produz coco e feijão verdes o ano inteiro, sendo, ainda, uma das líderes do movimento Mulheres do Agro do Ceara. 

O convite para o evento assinala que a solenidade celebrará trajetórias que contribuem para o fortalecimento do empreendedorismo feminino no Ceará, reconhecendo a atuação, as contribuições e a relevância dessas mulheres para o desenvolvimento econômico e social. 

Este colunista conheceu e manteve boa relação com dona Albanisa Sarasate, esposa do também saudoso senador e governador Paulo Sarasate. Ela teve participação ativa na vida política do marido, por meio de iniciativas que adotou, sempre em benefícios dos mais necessitados. 

Rita Grangeiro, por sua vez, é uma líder por natureza, atuando com desenvoltura no comando de sua empresa agropecuária, em Paracuru, e ainda na Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), onde lidera os eventos que reúnem as mulheres do setor (no agro cearense, um espaço tradicionalmente masculino, 23% das fazendas já são hoje administradas por mulheres).