Teatro que forma, transforma e projeta o Ceará

Escrito por Rachel Gadelha producaodiario@svm.com.br
09 de Maio de 2026 - 06:00
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Legenda: Rachel Gadelha é diretora-presidente do Instituto Dragão do Mar

Quando o mundo volta seu olhar para o teatro, Fortaleza nos convida a perceber o quanto essa linguagem artística segue pulsante no nosso cotidiano. O teatro é encontro, é escuta, é um espaço onde a gente se reconhece, se inquieta e compartilha sentido. Essa presença ganha força na rede de equipamentos culturais da Secretaria de Cultura do Estado, geridos pelo Instituto Dragão do Mar, e nos programas formativos que atravessam a cidade e fazem parte da vida de tantas pessoas.

A capital cearense abriga espaços emblemáticos como o Theatro José de Alencar, o Cineteatro São Luiz, o Teatro Carlos Câmara, o Teatro Dragão do Mar, o Teatro Marcus Miranda, no Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), e o Teatro B. de Paiva, no Hub Cultural Porto Dragão. Esses equipamentos são locais vivos, que acolhem artistas e públicos diversos, ampliam o acesso à cultura e mantêm em circulação a memória e a produção das artes cênicas no Ceará e no Brasil.

Essa construção também passa, de forma muito concreta, pela formação. O Curso Princípios Básicos de Teatro (CPBT), do Theatro José de Alencar, chega aos 35 anos como uma experiência que atravessa gerações, tendo formado cerca de 2 mil jovens e adultos de Fortaleza e região metropolitana. No CCBJ, 2025 marca a formação da primeira turma do Curso Técnico em Teatro, ampliando oportunidades no território do Grande Bom Jardim e consolidando um percurso que envolve cursos básicos, laboratório de teatro e formação técnica em áreas como iluminação, figurino e sonorização.

Na Escola Porto Iracema das Artes, iniciativas como o Programa de Formação Básica em Artes Cênicas, voltado para jovens de 16 a 29 anos da rede pública, e o Laboratório de Teatro, que já soma 12 edições e 56 projetos desenvolvidos, mostram como aprender teatro também é experimentar, testar caminhos e descobrir novas possibilidades de criação. Nos laboratórios há estímulo financeiro para a formação, acesso aos melhores tutores e tempo para a maturação dos processos criativos e pedagógicos. 

Em 2025, nossa rede de escolas totalizou 13 cursos, 387 matrículas e 215 concluintes, com destaque para o “Curso Princípios Básicos de Teatro (CPBT)” como o mais procurado. São números importantes, mas que ganham ainda mais sentido quando olhamos para quem compõe esse público: 47,27% com renda de até um salário mínimo e 58,94% de pessoas pretas e pardas. Esses dados revelam que uma política pública de cultura, consistente e contínua, consegue chegar mais longe. 

Em meio às comemorações do aniversário dos 300 anos de Fortaleza, celebrar o teatro é, acima de tudo, reconhecer esse movimento vivo, diverso e em constante construção. Fazer a gestão desses espaços e programas é entender que cada palco, curso e trajetória ajudam a formar não só artistas, mas cidadãos, e apontam caminhos possíveis para o futuro da cultura no Ceará.

Rachel Gadelha é diretora-presidente do Instituto Dragão do Mar

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