Muitas pessoas acreditam que perder força e disposição faz parte do envelhecimento. Embora algumas mudanças sejam naturais com o passar dos anos, existe uma condição que merece atenção especial: a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a sarcopenia afeta uma parcela significativa da população idosa. Estudos nacionais apontam prevalência entre aproximadamente 15% e 25%, variando conforme a faixa etária e os critérios utilizados para diagnóstico. Entre pessoas com mais de 80 anos, a ocorrência tende a ser ainda maior, tornando-se um importante desafio para a saúde pública em um país que envelhece rapidamente.
A perda muscular vai muito além da dificuldade para realizar atividades físicas. Ela interfere diretamente na autonomia e na qualidade de vida. Levantar da cama, subir escadas, carregar compras ou caminhar pequenas distâncias pode se tornar um desafio. Como consequência, aumentam os riscos de quedas, fraturas, hospitalizações e dependência funcional.
Além disso, evidências científicas mostram que a sarcopenia está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e mortalidade precoce. Segundo o Consenso Europeu sobre Sarcopenia, publicado no periódico Age and Ageing, o músculo desempenha funções essenciais para o metabolismo, participando do controle da glicose, da resposta inflamatória e da manutenção do equilíbrio fisiológico do organismo. Quando há perda significativa de massa muscular, o corpo se torna mais vulnerável.
A prevenção deve começar o quanto antes. A prática regular de exercícios físicos, especialmente os exercícios de força e resistência, é considerada uma das estratégias mais eficazes para preservar a musculatura ao longo da vida. Da mesma forma, uma alimentação equilibrada é fundamental para fornecer os nutrientes necessários à manutenção e recuperação muscular.
No entanto, não basta apenas consumir proteínas. Para que o organismo aproveite adequadamente esses nutrientes, é necessário que existam boas condições de digestão, absorção intestinal e disponibilidade de vitaminas, minerais e aminoácidos envolvidos no metabolismo muscular. Deficiências nutricionais e alterações gastrointestinais podem comprometer esse processo e acelerar a perda de massa muscular.
Nesse contexto, a avaliação do estado nutrometabólico ganha importância. Ela permite identificar carências nutricionais, alterações metabólicas e fatores que podem interferir na manutenção da musculatura. Quando necessário, a correção dessas deficiências e a suplementação individualizada podem integrar uma estratégia voltada à preservação da saúde muscular e ao envelhecimento saudável.
Fernando Guanabara é médico