Praia Formosa: a utopia de um corredor cultural

Escrito por
Luiz Carlos Diógenes de Oliveira producaodiario@svm.com.br
Luiz Carlos Diógenes de Oliveira
Legenda: Luiz Carlos Diógenes de Oliveira é escritor

Praia Formosa, paisagem nostálgica pintada em crônicas oculares da Fortaleza antiga, é uma página que não vira. Revira o passado, no presente. Vaga de um futuro ausente. Rasgá-la ainda não dissolve sua poesia imarcescível. Fortaleza, tricentenária hoje, em seus 200 anos banhava-se de sol e mar naquelas areias portuárias, adocicadas pelo Riacho Pajeú. Pegadas ficaram na alma esticada de saudosa memória. Dor revolta que revive na teima. 

Praia Formosa, rediviva, utopia a ser perseguida a partir do último lance de um certo Corredor Cultural, anunciado para a cidade de Fortaleza. Reitoria da UFC, estação primeira, largando-se para Estação das Artes, Passeio Público, Caixa Cultural, entre outros símbolos e sítios históricos. O ilustrado e cultivado “corredorista”, à derradeira estação, Café Atlântico/Labomar, largado restará à porta do mais simbólico cemitério ecológico de Fortaleza. Dispensando qualquer olhar histórico mais apurado, ouriçados ficarão os sentidos perscrutando os miasmas de um cadáver insepulto. 

O privatismo levantou muros, por trás dos quais apenas os céus e as bolsas testemunham náuticos negócios. No abraço de terra e mar, todavia, a foz do Pajeú ainda procura a Praia Formosa, entre denúncia e lembrança de seus direitos, ao esplendor da vida, violados. Campus da UFC na Praia de Iracema, assentado nas ciências naturais, para além de um linear olhar cartesiano, ousando atravessar muros pela epistêmica verruma das ciências sociais, reaviva uma brasa no borralho da história. 

Ali Fortaleza se mostra nua! Basta um olhar à direita e à esquerda. De um lado, os donos das verdades estabelecidas e imutáveis, arranhando os céus, do outro, os caranguejeiros arranhando nacos de chão.    

Prostrar-se em inabalável muro segregacionista ou, resolutamente, ser ponte integracionista, como sonhara Dragão do Mar e Jacaré naquele berço histórico? Praia Formosa, como graça humanizada da obra divina, altar patrimonial da Fortaleza amada, ressuscita, na utopia esperançosa, incerta, de um certo Corredor Cultural.   

Luiz Carlos Diógenes de Oliveira é escritor

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