Falar sobre agricultura familiar é falar sobre comida na mesa, geração de renda, preservação ambiental e dignidade para milhares de famílias brasileiras. É também falar sobre saúde pública e soberania alimentar. Enquanto muita gente ainda trata o campo como algo secundário, é dele que sai grande parte do alimento consumido diariamente pela população. De acordo com dados do Censo Agropecuário do IBGE, cerca de 70% dos alimentos básicos consumidos pelos brasileiros são produzidos pela agricultura familiar.
O dado mostra a força de um setor que abastece feiras, mercados, escolas e movimenta economias locais em todo o país. No Ceará, essa realidade também chama atenção. Hoje, são mais de 600 mil agricultores familiares cadastrados no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), instrumento do Ministério do Desenvolvimento Agrário que garante acesso a políticas públicas, crédito rural e assistência técnica. Garantir mais saúde para a população também passa pela qualidade do alimento que chega à mesa.
A agricultura familiar fortalece a produção agroecológica, incentiva práticas sustentáveis e contribui para uma alimentação mais saudável. Produzir respeitando a terra, a água e as pessoas deixou de ser apenas uma alternativa. Tornou-se uma necessidade diante das mudanças climáticas e do aumento das desigualdades sociais. O Ceará conhece de perto os desafios do semiárido. Quem vive no campo aprende cedo que desenvolvimento sustentável não nasce da exploração desenfreada, mas da convivência inteligente com o território.
Cada nascente preservada, cada quintal produtivo e cada experiência agroecológica mostram que é possível produzir com responsabilidade ambiental. Nesse cenário, a juventude rural ocupa papel estratégico. Durante muitos anos, o campo foi apresentado aos jovens como um lugar sem oportunidades. Isso provocou êxodo rural e enfraquecimento da produção local. Mas essa realidade pode mudar.
A juventude rural quer permanecer no campo, desde que tenha acesso à educação, internet, tecnologia, crédito e políticas públicas que garantam condições dignas para viver e produzir. Defender a agricultura familiar e a agroecologia é defender desenvolvimento sustentável, justiça social e segurança alimentar. Porque não existe cidade forte sem campo forte.
Auri Junior é agricultor