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Sem vantagem real, muitos contratos não valem a pena

Especialistas em Direito do Consumidor alertam para o custo embutido em planos oferecidos aos clientes

Escrito por
Jéssica Colaço - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: Estar ciente de que, na maioria das vezes, o objetivo da fidelização é aumentar os ganhos da empresa é um passo importante antes de assinar
Foto: Foto: Kid Júnior

Assim como as demais relações de consumo, os programas de fidelidade exigem cautela dos consumidores por eles nem sempre apresentarem vantagens reais, segundo a avaliação de alguns especialistas. Apesar de não serem contempladas por uma legislação específica relativa aos direitos do consumidor, essas estratégias devem seguir os princípios básicos das transações de comércio e consumo, assim como os usuários desses programas possuem algumas garantias previstas no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

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Estar ciente de que, na maioria das vezes, o objetivo da fidelização é aumentar os ganhos da empresa e garantir uma clientela fixa é um passo importante antes de aderir a esses programas, segundo explica o advogado especialista em direito do consumidor Eginardo Rolim. "Tem que ter ciência de que não existe fórmula mágica, ninguém vai alcançar benefício sem eventual custo. Dentro daquele ganho vai estar embutido um custo maior, que às vezes está no próprio preço do produto", detalha.

Isso não quer dizer, pondera Rolim, que os clientes que façam parte desses programas não tenham direitos enquanto consumidores - ainda que não existam normas protetivas específicas para os programas de fidelidade.

"De uma forma geral prevalecem a proporcionalidade e a razoabilidade, que regem todas as relações civis", explica. A proporcionalidade se aplica aos casos em que o cliente faz compras com valores altos, acumula uma quantidade considerável de pontos, mas não consegue obter grandes vantagens a partir disso, exemplifica.

"Já a razoabilidade tem a ver com justiça, se essas promoções são razoáveis e racionais", acrescenta o advogado.

Um cuidado que Rolim orienta aos consumidores é se certificar, junto a esses programas, sobre o uso que será feito das informações pessoais de cada cliente. "Em supermercados, por exemplos, a partir do momento que a pessoa adere ao programa, é criado um cadastro que passa a copiar o perfil de consumo da pessoa. Essa é uma informação muito valiosa e que, muitas vezes, acaba sendo vendida para outras empresas, e, em troca, eles te dão descontos de R$ 0,20 nos produtos", demonstra.

Regras acessíveis

Essa transparência das empresas e seus respectivos programas deve garantir ainda, ao consumidor, direitos básicos como fácil acesso ao saldo e à data de expiração da pontuação e termo de aceitação escrito em linguagem clara e acessível, segundo indica a advogada Priscilla Amaral, da CHC Advocacia. "Aconselha-se que o consumidor procure consultar os programas aos quais é filiado a fim de saber suas regras específicas. Quando houverem alterações de regras, estas também devem ser imediatamente comunicadas ao consumidor", complementa.

Ela destaca também que esses produtos - como podem ser chamados os programas de fidelidade, uma vez que a empresa cria e apresenta ao mercado - não podem conter cláusulas absurdas e que ponham o consumidor em extrema desvantagem. "O cliente-fidelidade deve ser educado mediante divulgações sobre o consumo adequado dos produtos e serviços oferecidos pelo programa. Esse direito se refere a obrigação que o fornecedor tem de prestar todas as informações sobre os produtos e serviços, desde antes da formação da relação consumerista", explica a advogada, lembrando os direitos básicos de todos os consumidores.

Aprendizado

A educação para o consumo, aliás, é um elemento muito importante, segundo defende Eginardo Rolim. O aprendizado desde cedo influencia para que a participação nos programas de fidelidade não acabe se transformando em uma "armadilha do consumismo".

"Essas promoções, muitas vezes, induzem a um consumo desenfreado e podem gerar um superendividamento. A pessoa começa a passar tudo no cartão de crédito para acumular pontos, pode perder o controle da fatura e não conseguir pagar. Isso pode ser o embrião de um problema muito maior", avalia. 

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