Renda menor exige futuro melhor planejado

Soraya optou por uma redução de 60% da jornada de trabalho e, com isso, diminuiu os ganhos em 50%

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
13 de Dezembro de 2015 - 01:00
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Legenda: Além de ter que controlar melhor suas despesas, Soraya também possui um compromisso financeiro de longo prazo. Terá pela frente as 360 parcelas do financiamento de um imóvel
Foto: Foto: Kiko Silva

A publicitária e professora universitária Soraya Madeira, 28, irá entrar em 2016 com menos dinheiro no bolso. Atualmente, ela dedica 40 horas semanais ao trabalho em uma agência de publicidade e ainda encontra fôlego para outras 6 horas como professora. Mas, a partir do próximo ano, irá apenas lecionar.

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Com isso, irá diminuir sua carga horária em cerca 60% e irá ganhar mensalmente 50% a menos. A decisão implica em revisão de gastos, adiamento de planos anteriormente previstos para o próximo ano, mas também fará com que ela tenha mais chance de crescer no meio acadêmico, no futuro.

"Eu fiz a opção de reduzir o meu trabalho para aumentar minha qualidade de vida. Foi arriscada, mas eu achei melhor, mesmo eu perdendo pelo lado financeiro. Vou tentar pegar outras disciplinas em outras faculdades, mas vou me ajustar a ganhar menos", afirma.

Além de ter que controlar melhor suas despesas, Soraya também possui um compromisso financeiro de longo prazo. Terá pela frente as 360 parcelas do financiamento de um imóvel, a serem pagas juntamente com o marido, o servidor público Humberto Fraga, 30. Mas como eles irão deixa gastar com aluguel e vão se mudar para o novo apartamento, será basicamente substituir uma despesa pela outra.

Ao concluir o mestrado no próximo ano, e reduzir sua carga horária, a professora terá mais tempo livre para se preparar para o doutorado, em 2017. Assim, na medida em que conseguir mais qualificações na universidade, o valor de sua hora/aula irá subir paulatinamente.

Planos repensados

Ao optar por trabalhar menos em 2016, Soraya também está colocando em segundo plano a ideia de viajar novamente para o exterior. "O 13º, a rescisão do trabalho, tudo vai para a poupança. A poupança não vai mais para a viagem, vai ser para a minha segurança (diante de imprevistos). Até eu conseguir aumentar minha renda e assim por diante", ressalta.

Além disso, contará com o apoio financeiro do marido. A exemplo de como vêm fazendo, em 2016, o casal deve dividir despesas fixas, como condomínio, água e luz, proporcionalmente aos respectivos salários. "Se ele ganhava 70% da nossa renda e eu 30%, ele pagava 70% das contas e eu, 30%. Ele que administra tudo, coloca numa planilha, e depois eu transfiro a minha parte para ele", explica.

Experiência

Para não extrapolar nas despesas, Soraya fará uso do hábito que começou a adquirir há mais de três anos. Ela costumava gastar todo o salário. Mas para realizar o sonho de passar 15 dias na Europa, junto ao marido e a uma amiga, ela destinou 30% de sua remuneração mensal para a poupança entre setembro de 2012 e março de 2013.

"Eu vi que o que eu ganhava dava demais para eu me manter e o que eu precisava para viajar. Antes, eu comprava muita roupa, ia ao salão toda semana. Eu comprava roupa que eu não usava, sapato que eu não usava", lembra ela.

Com o sonho em mente, a publicitária passou a encarar a poupança como uma obrigação. "Entrava o salário na minha conta. A primeira coisa que eu fazia era pagar o que eu tinha que pagar. A poupança era como se fosse também uma conta. O que sobrasse do meu salário eu também guardava. Quando eu voltei da viagem, eu mantive esse hábitos". Agora, mesmo com dinheiro curto, ela pretende poupar 20% do salário e destiná-lo à poupança.

Poupança

O hábito da publicitária é o recomendado pelo especialista da DSOP - Educação Financeira, Rodrigo Soares de Azevedo: "se você ganha um R$ 5 mil por mês, você não posso viver com um padrão de R$ 5 mil. O meu padrão de vida não é a minha receita. O ideal é guardar de 20% a 30% do salário. Se for difícil, comece guardando 5%, no mes seguinte, 7%, depois 9%, e assim sucessivamente".

Poupando todos os meses, a publicitária também já está pensando em investimentos futuros. "Eu vou juntando o que eu puder para que eu possa pagar uma viagem depois ou dar entrada em outro apartamento e ficar recebendo o aluguel", planeja Soraya. (MV)