Há dois meses, o analista de comércio exterior Uitalo Monteiro, 27, passou a fazer um investimento e pretende segui-lo à risca em 2016 e nos próximos 30 anos. Sentiu-se atraído pela alta rentabilidade de títulos públicos do Tesouro Direto e decidiu que esse continuará sendo o destino de 10% do rendimento bruto mensal de sua pequena empresa, aberta há cerca de dois anos. "Se eu fechar aquele mês com rendimento de R$ 10 mil, vou tirar R$ 1 mil para isso. Se eu tiver R$ 20 mil, vou tirar R$ 2 mil, e assim sucessivamente", projeta ele.
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O grande objetivo de Uitalo ao realizar o investimento é conseguir tranquilidade ao se aposentar. "É complicado você depender da previdência pública hoje", ressalta.
Quando não estiver mais trabalhando, ele quer estar melhor, em termos financeiros, do que na situação atual. "Eu preciso fazer com que esse dinheiro 'trabalhe' para mim", defende.
No momento em que Uitalo compra um título público, ele não está fazendo nada mais do que um empréstimo para o governo federal. Em troca disso, ele receberá no futuro uma remuneração ter fornecido esse crédito. Ou seja, ele receberá a quantidade que concedeu ao governo acrescida de juros.
O título já adquirido por ele foi o Tesouro Selic, cujo rendimento está vinculado à taxa Selic, que serve de parâmetro para os juros praticados no mercado. Hoje, esse índice está situado em 14,25% e no ano que vem deve continuar alto. Segundo previsão do Boletim Focus, do Banco Central, em 2016 a taxa ficará em 14,16%.
Rendimento
O percentual da taxa Selic, portanto, corresponde ao rendimento anual do investimento feito por Uitalo e é praticamente o dobro do constatado na caderneta de poupança, que atualmente rende cerca de 7% ao ano. "Na poupança, você coloca dinheiro hoje e só pode tirar daqui a 30 dias, se não, não rende. No Tesouro Selic, você não perde dinheiro. Mesmo que você coloque hoje, você pode tirar amanhã", acrescenta o educador financeiro da DSOP, Rodrigo Soares de Azevedo.
Início
O analista ouviu falar pela primeira vez em títulos públicos quando ainda era universitário e não chegou a se aprofundar no assunto. Mesmo assim, contatou que se tratava de um investimento de baixo risco.
"O conhecimento técnico (sobre títulos públicos) eu realmente não tinha. Eu procuro ler algumas coisas e eu notei que com o título público, hoje, rendendo cerca de 15% (ao ano), você consegue comprar um título de R$ 480 e, daqui a cinco anos, eles lhe pagam R$ 1 mil. É bastante atrativo. É uma das coisas que me iniciar nesse tipo de investimento", defende.
Uitalo acrescenta que o processo para realizar o investimento é bastante simples. "Eu recebo o rendimento. Já separo os 10%. Coloco na minha conta pessoal. Da minha conta pessoal, eu passo essa transferência para a corretora e entro no sistema home broker (que permite que sejam enviadas ordens de compra e venda através do site de uma corretora na internet) e faço uma operação. Faço tudo de casa", explica.
No futuro, o analista pretende diversificar o seu leque de aplicações. Já pensa na Bolsa de Valores, um tipo de investimento mais complexo e sujeito às oscilações do mercado.
Mais informações:
Consulte mais detalhes sobre títulos públicos no site www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto