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PF cumpre mandados em investigação sobre fraude nas Americanas; Justiça manda bloquear até R$ 54 bi

Nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos nesta quinta-feira (25).

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
25 de Junho de 2026 - 09:42 (Atualizado às 09:47)
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Legenda: Ex-executivos da varejista são citados em investigação sobre suposto esquema de manipulação das demonstrações financeiras da empresa.
Foto: Paloma Vargas.

A segunda fase da Operação Disclosure, que investiga uma fraude bilionária nas Lojas Americanas, foi iniciada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (25), com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Justiça ainda determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 54 bilhões

As ações envolvem o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, além de buscas pessoais, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A intenção seria apurar se acionistas das Americanas e representantes de bancos privados também participaram do esquema.

Esquema para inflar lucros

De acordo com detalhes da investigação da Polícia Federal, as buscas pretendem esclarecer a participação de ex-executivos da varejista em um esquema de manipulação das demonstrações financeiras da empresa, que teriam o objetivo de inflar os lucros e ocultar dívidas para valorizar ações na Bolsa.

"Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico", explicou a Polícia Federal. 

O esquema estava ligado às operações das chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC), que teriam sido utilizadas para distorcer os resultados contábeis apresentados ao mercado.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do Jornal O Globo, diferentes executivos de bancos são investigados na operação. Veja a lista dos alvos:

  • Carlos Alberto Sicupira (um dos controladores da Americanas);
  • Eduardo Saggioro (ex-integrante do conselho da Americanas);
  • Paulo Alberto Lemann (ex-integrante do conselho e filho do controlador Jorge Paulo Lemann);
  • José Rudge (Itaú);
  • Gustavo Balassiano (Itaú);
  • Carlos Henrique Villela Pedras (Bradesco);
  • Sergio Rial (ex-presidente do Santander e ex-CEO da Americanas);
  • André Almeida (Santander);
  • Alexandre Abdo (Santander).

Conforme as informações da Polícia Federal, o esquema consistia no fato de que o varejista encomendava um volume de produtos do fabricante por um determinado valor. Logo em seguida, colocava condições, como exposição privilegiada dos produtos, além de metas de comercialização. 

Outro ponto da apuração cita o risco sacado, uma triangulação no financiamento de fornecedores que consiste na antecipação aos parceiros de crédito que eles têm a receber via bancos. A prática seria comum, mas a companhia teria fraudado as operações.

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