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Indústria começa a melhorar oferta de emprego no CE

Setores de alimentos, confecção, têxtil, calçadista e metalúrgico demonstram maior geração de vagas

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Segundo o economista da Fiec, Guilherme Muchale, o setor calçadista é um dos destaques na melhoria da oferta de vagas no Estado
Foto: FOTO: CID BARBOSA

A indústria cearense já dá sinais de melhora na oferta de empregos. Nos meses de maio e junho, houve recuperação nos segmentos de maior geração de vagas nos setores de alimentos, confecção, têxtil, calçadista e metalúrgico. "Esses setores já estão aumentando a oferta de emprego. E por mais que a indústria vá demorar alguns anos para se recuperar dos efeitos totais da crise econômica nacional, isso já é um sinal positivo. Estamos numa curva ascendente. E o ganho de confiança do empresário industrial cresceu, refletindo na elevação da produção", diz Guilherme Muchale, economista da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Além dos setores tradicionais da indústria local, as perspectivas de crescimento devem se concretizar com a evolução da Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE Ceará), que abriga a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e deverá receber no próximo ano empresas do segmento de rochas ornamentais. "Diferente do Brasil, o Ceará tem investimentos entrando em andamento. A gente pode apontar a ZPE como a principal responsável pelo crescimento de 109% nas exportações deste ano", acrescenta.

Na avaliação de Muchale o que mais atrapalha o setor é o cenário político e a situação fiscal do País, que fez o governo retirar incentivos e elevar a carga tributária, dificultando a competição com os produtos importados. "Essa instabilidade em que o Brasil se encontra é negativa até porque concentra o debate público na política, em vez da economia". Para este ano, o economista acredita que a produção da indústria local deve crescer entre 1% e 2%, ficando pelo menos 0,5 ponto percentual acima do crescimento nacional.

Representatividade

Com participação de 19% no PIB estadual, o PIB da indústria cearense avançou 1,81% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o trimestre anterior e cresceu 2,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2016, segundo o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A produção física em junho cresceu 4,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado. "De forma geral, a indústria cearense já vem dando sinais claros de recuperação desde o fim do primeiro semestre", diz.

Construção civil

O setor da construção civil, responsável por 7% do PIB cearense, apresentou um crescimento de 2,21% no primeiro trimestre, ante o trimestre anterior. E, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, a procura por imóveis vem aumentando neste ano e a expectativa é de que a redução das taxas de juros deverá estimular o setor nos próximos meses. "A gente está sentindo essa reação, mas ainda muito lentamente", diz. "Mas as pessoas já estão pesquisando mais, o que é importante. Então a gente acredita que setembro seja um mês melhor".

Hoje, no entanto, um dos maiores entraves para o setor são os estoques de imóveis, ainda elevados no Estado. "A gente espera que o estoque caia, porque enquanto não caírem, as construtoras ficam com um pé atrás e não constroem", diz Montenegro. "Mas antes de tudo, é preciso que as pessoas acreditem que o País vai se recuperar, para melhorar a confiança". Assim como ocorre no comércio, o presidente do Sinduscon-CE diz que a queda da Selic ainda não refletiu no crédito imobiliário. "Os juros ainda estão num patamar muito elevado", diz.

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