2015, ano de turbulência financeira, está chegando ao fim. É hora de olhar para frente. O desemprego no Brasil atingiu 7,9% em outubro e deve se intensificar no próximo ano, segundo preveem economistas. O Boletim Focus, do Banco Central, projeta que a taxa Selic, atualmente em 14,25%, deve se manter alta. Assim, o crédito irá continuar caro. Já a inflação, que acumulou 10,48% nos últimos 12 meses, deve regredir, mas continuar acima do teto da meta estipulada pelo governo (6,5%). Diante deste cenário, como você está se preparando para enfrentar 2016?
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A questão convém para quem não extrapolou os gastos neste ano, mas é ainda mais importante para quem não pôde cumprir com as obrigações financeiras em 2015. "A pessoa tem que ter uma consciência bem clara do seu padrão de vida, e não do que quer ter. Não importa a promessa de redução da inflação do ano que vem se você continuar complementando o seu padrão de vida com o seu cartão de crédito e pagar uns juros de mais de 300% ao ano", sugere o educador financeiro da DSOP, Rodrigo Soares de Azevedo.
Segundo ele, para quem quer conseguir equilíbrio nas contas no próximo ano, é importante ter disciplina para abrir mão do imediatismo em alguns aspectos e eleger um grande plano para o futuro. Mas, antes disso, é necessário ter uma completa noção de despensas mensais. "Você deve, durante 30 dias, anotar absolutamente tudo o que gasta para saber para onde cada centavo do seu dinheiro está indo. Deve anotar por 90 dias, se tiver renda variável. Depois disso, e definido o seu sonho, você traça o seu orçamento. Você vai saber qual despesa cortar. O que você cortar, você vai destinar para o seu sonho", recomenda.

Para não extrapolar o orçamento, o educador financeiro também propõe que se priorizem compras à vista, mesmo que a compra à prazo não tenha juros. O parcelamento de pequenas compras, segundo ele, é algo tipicamente brasileiro, enquanto em outros países o crédito é voltado para bens de consumo duráveis, como um carro ou uma casa. "Eu fico com um monte de parcelas pequenas. Eu compro uma camisa, uma calça, tudo no crédito. O que quebra uma empresa, por exemplo, é o somatório das pequenas despesas", defende.
Desemprego
No turbulento cenário econômico de 2016, entretanto, o desemprego pode surgir e ser prejudicial, mas também pode abrir oportunidades. Segundo Rodrigo Soares, a demissão pode ser a chance de abrir um negócio próprio ou buscar uma nova colocação no mercado de trabalho.
Mas para escapar dos cortes no trabalho, a capacitação profissional pode ser o diferencial. "No momento de crise, de recessão, de desemprego, se o que você faz não se diferencia em nada, você é o primeiro a ser excluído do mercado".
Investimentos
Para driblar as eventuais dificuldades de mais um ano de crise no País, as oportunidades também existem nos títulos públicos. "No Tesouro Direto, hoje, você pode começar com R$ 7, a depender do título pelo qual você opta", salienta.
Como rendimento menor do que a inflação, a caderneta de poupança não vem sendo compensatória, embora ainda seja o investimento mais popular. Ao invés de dizer que as pessoas estão ganhando com a poupança, elas estão perdendo. As pessoas, por falta de conhecimento, botam dinheiro na poupança porque acham que outros investimentos implicam em ter muito direito. Não é verdade", afirma Rodrigo Soares.