Brasil é o último em ranking de crescimento

Na comparação entre o 1º trimestre de 2017 com igual período de 2016, houve queda de 0,4% no PIB brasileiro

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
02 de Junho de 2017 - 00:00 (Atualizado às 00:09)

Rio. A frágil reação da economia brasileira no primeiro trimestre, que cresceu 1% na comparação com os últimos três meses de 2016, não foi suficiente para tirar o Brasil da lanterna de uma lista de 39 países que já divulgaram o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em igual período.

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Quando se considera a comparação anual, que é o critério usado internacionalmente para avaliar o desempenho das economias, o PIB brasileiro teve retração de 0,4% em relação ao primeiro trimestre de 2016, o pior da lista de países analisados pela consultoria Austin Rating, responsável pelo ranking.

"A avaliação da economia em períodos iguais é mais precisa, pois o desempenho do primeiro trimestre em relação ao quarto, por exemplo, pode estar contaminado por fatores como a reposição de estoques que baixaram no final do ano", disse o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Apenas a Grécia, penúltima colocada, também teve desempenho negativo na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e igual período de 2016, com retração de 0,3%. O Brasil também foi superado pelas economias da Ucrânia e da Rússia, que nas edições anteriores estavam com desempenhos piores. Outras economias que apresentaram resultados muito ruins nas edições anteriores, como a Venezuela, até o momento não divulgaram seus resultados. Os 39 Países representam 83,2% do PIB Mundial.

12º recuo

Conforme a Austin Rating, o PIB do Brasil registrou queda pelo 12º trimestre seguido na comparação com o trimestre do ano anterior. "O cenário político ainda muito turbulento interfere diretamente nas previsões para o desempenho do PIB de 2017 e 2018 em virtude do risco da não aprovação da Reforma da Previdência, que é fator fundamental para desatar o nó das expectativas dos agentes econômicos que, por sua vez, impacta diretamente na alocação de recursos para investimentos em máquinas e equipamentos e em mão de obra", destacou Alex Agostini.

O economista-chefe, no entanto, manteve a projeção de expansão de 0,7% do PIB em 2017 e de 2,2% para 2018, baseada nos resultados dos indicadores antecedentes dos últimos meses "que revelaram contínua recuperação da confiança na economia, apesar do campo político muito turvo".

Cenário

De acordo com ele, a estimativa se apoia tanto na base de comparação muito fraca - 2016 apresentou queda de 3,8% -, como principalmente no "desempenho vigoroso da agropecuária e do setor exportador - esse último registra recordes de superávit comercial".

Outro pontos levantados são a recuperação gradual de importantes setores da economia como, por exemplo, a indústria de transformação e transporte, armazenagem e correio.

"É importante destacar que a concretização de um cenário econômico brasileiro melhor em 2017 ainda depende, em menor parte, das alterações que a economia global, bem como os desdobramentos acerca do ambiente político nacional e seus efeitos diretos e indiretos na dinâmica da atividade econômica doméstica, com destaque à aprovação da Reforma da Previdência que é fundamental para a sustentabilidade fiscal do País e contribui sobremaneira para uma redução mais consistente da taxa de juros básica (Selic) ao longo do tempo", disse o economista-chefe da Austin Rating.