São Paulo. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre mostra que a economia brasileira está deixando para trás dois anos de recessão. Contudo, se a crise política continuar ao longo do ano, a incipiente retomada pode sair dos trilhos e, no pior cenário, o Brasil pode voltar ao quadro recessivo.
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A avaliação é do diretor para a América Latina da Moody's Analytics, Alfredo Coutiño. "Nos últimos dois anos, uma série de escândalos políticos apareceram no Brasil, com a última delas envolvendo o atual presidente (da República, Michel Temer)", afirma Coutiño ao comentar os dados divulgados ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Como reflexo da turbulência política, o investimento e o consumo pararam de crescer, ressalta o diretor da Moody's. Se o imbróglio político se prolongar, Coutiño avalia que a economia vai sofrer e as reformas propostas pelo Planalto - Trabalhista e da Previdência - acabarão sendo postergadas.
"A economia pode voltar para a recessão e não ver uma recuperação até o próximo governo em 2019", advertiu.
Os dados divulgados ontem mostram que o PIB cresceu 1% no primeiro trimestre quando comparado ao quarto trimestre de 2016. "Após oito trimestres, o Brasil volta a crescer", afirmou o diretor da Moody's Analytics.
Cenário
O economista e ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, avalia que os dados do PIB vieram, no geral, bons, mas a crise política pode atrapalhar o cenário de recuperação da economia.
Segundo ele, se o imbróglio em Brasília se prolongar, a expansão do PIB pode ficar perto de zero em 2017.