Rio. Após dois anos consecutivos de queda - ou oito trimestres -, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil voltou a crescer no primeiro trimestre deste ano, registrando um avanço de 1% na comparação com o último trimestre de 2016. No entanto, quando comparado com o primeiro trimestre do ano passado, o PIB recuou 0,4%. Os dados foram divulgados ontem (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a economia brasileira mostrou uma reação no primeiro trimestre deste ano, mas ainda está no mesmo patamar de 2010. "Deu uma recuperação em relação ao trimestre anterior. Antes, o crescimento o PIB estava no patamar do início de 2010. Agora, está no patamar do fim de 2010", explicou.
Atividades
O setor agropecuário foi o maior responsável pelo crescimento da economia brasileira no acumulado dos primeiros três meses de 2017, ancorado em uma supersafra de soja, milho e arroz. Na contramão dos demais segmentos, avançou 15,4% em relação a igual período de 2016 e 13,4%, comparado aos últimos três meses do ano passado. A contribuição só não foi maior porque a agropecuária tem uma participação pequena no setor produtivo, dominado por serviços. O peso do campo na economia do País é de 5,5%, enquanto os serviços respondem por 73,3%.
A indústria, por sua vez, cresceu 0,9% no primeiro trimestre deste ano ante o trimestre imediatamente anterior. Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, o PIB da indústria mostrou queda de 1,1%. Já o PIB do setor de serviços foi de 0,0% no primeiro trimestre de 2017 na comparação com os três últimos meses do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, o PIB de serviços mostrou queda de 1,7%.
Retração acumulada de 2,3%
Mesmo com o crescimento de 1% no primeiro trimestre - comparativamente ao quarto trimestre do ano passado - no resultado acumulado nos quatro trimestres terminados em março último a economia brasileira recuou 2,3% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, de acordo com os dados do IBGE. Esta taxa resultou da contração de 2,1% do Valor Adicionado a preços básicos e do recuo de 4,1% nos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios. O resultado do Valor Adicionado neste tipo de comparação decorreu dos seguintes desempenhos: agropecuária (0,3%), indústria (-2,4%) e serviços (-2,3%).

A agropecuária foi a maior responsável pelo incremento da economia nos primeiros três meses deste ano. O PIB do setor subiu 13,4%
Em valores de mercado, o PIB fechou o primeiro trimestre do ano totalizando R$ 1,595 trilhão. Desse total, R$ 1,381 trilhão referem-se ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 213,6 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios. Ainda em valores de mercado, a agropecuária registrou R$ 93,4 bilhões, a indústria R$ 291,1 bilhões e os serviços R$ 996,4 bilhões.
Já entre os componentes da despesa, a Despesa de Consumo das Famílias somou R$ 1,004 trilhão; a Despesa de Consumo do Governo, R$ 307,6 bilhões; e a Formação Bruta de Capital Fixo, R$ 248,6 bilhões.
Consumo das famílias
A deterioração dos indicadores de emprego contribuiu para que o consumo das famílias caísse 0,1% no primeiro trimestre deste ano em comparação com os três meses anteriores. Em relação ao primeiro trimestre de 2016, o recuou foi de 1,9% nos primeiros três meses de 2017. O consumo das famílias cai há nove trimestres consecutivos.
Investimento
A economia avançou no primeiro trimestre, mas descolada do investimento, real indicador de expansão e geração de emprego. A compra de máquinas e equipamentos para ampliar a capacidade de produção industrial caiu. Assim, o peso do investimento na economia caiu para 15,6%, pior patamar em um primeiro trimestre desde 1996.
O investimento está em queda há 12 trimestres. Desta vez, foi de 3,7%, comparado ao primeiro trimestre de 2016, e de 1,6% em relação ao quarto trimestre de 2016. "O investimento é o que possibilita inovação e o ganho de produtividade pelas empresas. Sem ampliar a capacidade de produção, não há expansão de um número expressivo de empregos e a economia não tem estímulo para avançar", avaliou o professor da Fundação Getúlio Vargas, Nelson Marconi.
