Outback pode sair do Ceará? Rede abrirá terceiro restaurante neste ano em Fortaleza

Controladora da rede de restaurantes estuda vender operação no Brasil

A empresa responsável pela marca Outback no Brasil, Bloomin' Brands, avalia a possibilidade de vender as operações da rede de restaurantes. Mas mesmo se a transferência ocorrer, a empresa garante que a rede deve seguir com funcionamento normal no País.

Os rumores da venda surgiram após o CEO da sede da Bloomin' Brands nos Estados Unidos afirmar que este é o momento de medir se o negócio pode ser refranqueado. A companhia divulgou em seu balanço trimestral que estão sendo avaliadas alternativas para maximizar o valor aos acionistas, não se limitando a venda das operações.

São 159 unidades do restaurante em todo o Brasil, sendo duas no Ceará - uma no Shopping Iguatemi Bosque e outra no RioMar Fortaleza. A rede irá abrir outra unidade na capital cearense, desta vez no North Shopping Fortaleza.

O que pode acontecer com o Outback no Estado

Segundo o North Shopping Fortaleza, a inauguração do restaurante segue confirmada e deve ocorrer em agosto.

Em nota, o RioMar afirmou que as estratégias de mercado das empresas com unidades no shopping devem ser questionadas às próprias marcas. 

Já o Iguatemi disse que a loja permanece aberta normalmente, sem prazo indeterminado no que se refere ao fechamento. “Até o presente momento, o operador não procurou o estabelecimento ou qualquer outro que possui a marca para tratar sobre essa movimentação”, completa nota.

O Outback pretende abrir outros oito restaurantes até o fim do ano em todo o País, levando o número de inaugurações realizadas em 2024 a 20, segundo o vice-presidente executivo de estratégia global de clientes e Brasil, Pierre Barenstein.

Com a repercussão da possível transferência dos direitos de operação do Outback, Pierre ressaltou a importância do País nos rendimentos da empresa. "Em 2023, o resultado operacional ajustado proveniente de operações fora dos Estados Unidos, incluindo o Brasil, foi de US$ 84 milhões. O Brasil representa significante parcela deste resultado internacional", afirmou.

A Bloomin' Brands também é detentora das marcas das redes de restaurantes Abbraccio, que tem 16 unidades no Brasil, e Aussies, com duas unidades. Caso opte por repassar as operações das redes, a companhia tem dois caminhos, segundo Christian Avesque, professor e consultor em Varejo.

Em um dos cenários, as unidades dos restaurantes podem ser licenciadas para outras empresas e a Bloomin' Brands permaneceria como controladora parceira, recebendo ainda royaltes sobre os lucros dos estabelecimentos. 

"Ou pode acontecer a mesma coisa que a [rede de cafeterias] Starbucks, que é a aquisição das lojas por um fundo comprador", explica Christian Avesque. A operadora da Starbucks Brasil, SouthRock Capital, entrou em recuperação judicial no fim do ano passado e desistiu dos planos de expansão, abortando inclusive os planos de chegar à Fortaleza.

A companhia estuda agora vender os bens e direitos de operação da Starbucks no País para a ZAMP, responsável pelas redes Burguer King e Popeyes. Caso opte pelo mesmo caminho de venda, a Bloomin' Brands perderia qualquer direito sobre a operação do Outback. Ainda não há informações sobre possíveis compradores. 

QUEDA NAS VENDAS

Um dos motivos para a Bloomin' Brands avaliar a venda das operações da rede Outback é a necessidade de reestruturação das contas. No primeiro trimestre de 2024, a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 83,9 milhões. As vendas no Brasil apresentaram queda de 0,7%, em um cenário que o País foi o que mais deu resultados positivos à companhia. 

Christian Avesque explica que os resultados da franquia no Brasil podem enfrentar dificuldades por instabilidades tributárias, com as mudanças decorrentes da reforma tributária e do fim do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). 

O especialista aponta ainda instabilidade nesse modelo de restaurantes 'casual dining' - com proposta de ambiente confortável e cardápio acessível. 

“Um dos problemas é o nível de renda da população em endividamento. Há muitos fast foods com produtos semelhantes e ticket médio baixo. Além disso, há a inflação de alimentos e inflação de food service, que provavelmente não está conseguindo repassar integralmente para os preços finais”, explica.

A rede pode apostar no aumento de vendas com a abertura dos novos pontos de negócios, mas também deve investir mais nas vendas por delivery, segundo Avesque.

“O Outback tem uma baixíssima penetração nos aplicativos de entrega e consumo fora de restaurantes, que é onde os restaurantes de casual dining conseguem ter o faturamento maior para diluir o custo por metro quadrado, já que estão em áreas nobres, shoppings, pontos de rua com metro quadrado e custo de operação muito alto”, aponta.