Presidente do Ceará cita falta de recursos para crise institucional: "Mas o clube não está largado"

Semana no clube foi marcada por salários e direitos de imagem atrasados de jogadores, funcionários e coleta de lixo paralisada por falta de pagamento

Escrito por Vladimir Marques vladimir.marques@svm.com.br
06 de Novembro de 2026 - 22:11 (Atualizado às 22:51)
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Legenda: João Paulo Silva comentou sobre a crise no Ceará em entrevista ao ge
Foto: Ismael Soares/SVM

Em uma semana turbulenta no Ceará, marcada por divulgação de salários e direitos de imagem atrasados de jogadores, funcionários e coleta de lixo paralisada por falta de pagamento, o presidente João Paulo Silva concedeu entrevista ao ge/ce, explicando que a falta de recursos ocasionou todos os problemas financeiros e institucionais em 2026.

A busca pelos recursos para honrar com os compromissos é prejudicada pelo desempenho da equipe na Série B. A incerteza da permanência na Série B até o momento impede a liberação de recursos por fundos e instituições, que não encontram garantias para o pagamento dos valores pedidos.

"É óbvio que todo mundo pensa: 'Vou emprestar dinheiro para um clube que pode cair para a Série C?'. Até isso dificultou a nossa situação. Mas o clube não está largado, disse ele.
 

Queda em arrecadação do sócio-torcedor

Para agravar, com a queda da Série A para a B, a receita de sócio torcedor caiu vertiginosamente, dificultando as receitas ao longo do ano.

"O nosso sócio-torcedor, que rendia R$ 2 milhões por mês, caiu para R$ 150 mil. Em todos os nossos jogos — com exceção do jogo contra o Fortaleza — não sobrou dinheiro. Quando a gente ainda estava brigando no campeonato, fiz promoção para encher o estádio, aí sobrava R$ 30, R$ 40 mil. Depois entra numa situação de brigar para não cair, e o estádio não enche mesmo com promoção, gerando R$ 40, R$ 50 mil de prejuízo por jogo", expicou o presidente.

Outra perde de receita foram os R$ 800 mil por mês de patrocínio master de uma Casa de Apostas após a proibição das Bets.

Futebol caro

João Paulo Silva também justificou a crise financeira pelo futebol estar muito caro.

"Essa conta chegou pra todo mundo. Atleta que ganhava 70, 80 mil numa Série B, hoje ganha 150, 200, 300 mil".

Não falta nada

Apesar do espanto que foi a suspensão da coleta de lixo e o montante na sede do clube que assustou, João Paulo Silva garantiu que não faltou nada para os jogadores em 2026.

"O time nunca deixou de concentrar, nunca faltou nada para uma viagem. O Ceará, numa Série B, é o elenco que talvez mais viaje. Para você ter ideia, tem time que e está brigando pelo acesso, mas não viaja com médico, assessoria; eles preferem contratar um médico na cidade em que vai jogar. Eu nunca fiz isso."